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Eleições 2026Brasil

Na TV, Flávio anuncia Ministério da Prosperidade e Lula tenta virar votos

Candidato do PL prometeu preservar benefícios sociais. Petista atacou possíveis cortes e política armamentista

09/10/2026 13:41, atualizado 09/10/2026 13:48
Flávio Bolsonaro e Lula
Flávio Bolsonaro e Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usaram a volta do horário eleitoral, nesta sexta-feira (9/10), para disputar o discurso de mudança no país.

O candidato do PL anunciou a criação de um Ministério da Prosperidade, enquanto o petista buscou conquistar eleitores que não votaram nele no primeiro turno e alertou para o que considera riscos de retrocesso com a volta da família Bolsonaro ao poder.

Os candidatos estrearam a propaganda do segundo turno cinco dias depois de Flávio terminar a primeira votação à frente de Lula. O senador recebeu 47,03% dos votos válidos, o equivalente a 56,1 milhões, contra 45,16% do petista, que somou 53,9 milhões. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.

Flávio procurou usar o resultado para defender que sua candidatura representa a vontade de mudança dos eleitores. O programa destacou a vantagem obtida sobre Lula e as vitórias do senador em 14 estados e em quatro das cinco regiões do país.

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“A gente não tá começando aqui uma nova campanha no segundo turno. A gente tá dando o passo final para uma mudança que já começou. Porque no primeiro turno, o Brasil já decidiu, votou na mudança”, afirmou o senador.

O candidato também tentou transmitir uma mensagem de união após a votação de domingo (4/10). “O Brasil não tá mais dividido, tá todo mundo do mesmo lado. O Brasil tá do lado da mudança”, declarou.

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A propaganda mostrou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), que passou a apoiar Flávio depois do primeiro turno.

A campanha também estreou um jingle com o mote “Brasil do mesmo lado” e adotou um novo slogan, que apresenta o senador como “o novo presidente para mudar o Brasil para melhor”.

Flávio dedicou parte do programa a prometer a continuidade de políticas sociais mantidas pelo governo Lula. O candidato afirmou que não pretende acabar com o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e a Farmácia Popular.

“Eu vou manter e reajustar o Bolsa Família. E quem tem emprego não perde o benefício”, prometeu.

O senador também anunciou a proposta de criar um Ministério da Prosperidade, que, segundo ele, ajudaria brasileiros interessados em estudar, abrir empresas e conseguir crédito.

“Para esse governo, Bolsa Família é o máximo. Para mim, é só o começo. Eu vou criar o Ministério da Prosperidade para quem quiser estudar, fazer curso, empreender, ter crédito, abrir o seu próprio negócio, crescer e prosperar”, disse.

O programa ainda apresentou propostas para reduzir impostos, ampliar o acesso a creches e instalar uma rede nacional de câmeras de monitoramento inspirada no Smart Sampa, adotado pela Prefeitura de São Paulo.

Uma das promessas foi o chamado “tesouraço”, nome dado pela campanha à proposta de diminuir a cobrança de impostos.

Lula busca novos votos e ataca Bolsonaro

Lula, por outro lado, tentou associar a mudança defendida pelo adversário a medidas adotadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A propaganda do petista abriu com críticas aos cortes de verbas realizados durante a gestão anterior, especialmente em programas sociais e na saúde. A campanha usou o termo “tesouraço”, defendido por Flávio, para recordar reduções de recursos da Farmácia Popular e de outras áreas.

O programa também atacou a política de flexibilização do acesso a armas adotada pelo ex-presidente. Em uma peça exibida no final do bloco, a campanha petista mostrou uma criança pegando, em sua casa, a arma mantida pelo pai e levando para escola, onde é possível ouvir um disparo.

A propaganda afirmou que mais de 1 milhão de armas foram colocadas em residências brasileiras durante o governo Bolsonaro e associou a medida a riscos para as famílias. “Com Flávio Bolsonaro, sua família perde, perde a paz”, afirma a locução.

Lula procurou rebater diretamente o discurso de mudança do adversário. O presidente defendeu a continuidade das políticas de seu governo e afirmou que o país não deve retomar medidas adotadas pela gestão anterior.

“Mudar não é voltar ao passado, mudar não é perder o que a gente conquistou, nem voltar atrás nas conquistas das mulheres e dos trabalhadores. O mudar de verdade é andar para frente, com a experiência de quem já fez e a certeza de quem quer mais”, declarou.

O petista também direcionou parte de sua fala aos brasileiros que não votaram nele no primeiro turno, em uma tentativa de ampliar seu eleitorado na disputa de 25 de outubro.

“Hoje, eu quero também falar com você que não votou. Você que quer dar o passo adiante, quer emprego de qualidade, quer melhores salários, quer mais oportunidade para crescer, você quer prosperidade. Estou junto com você”, afirmou.

Lula ainda disse que chega à sua última disputa eleitoral mais preparado para promover mudanças no país.

A propaganda também procurou mostrar uma renovação entre os apoiadores do presidente, com a participação de parlamentares jovens, influenciadores e eleitores que declararam voto nas redes sociais.

O programa exibiu comentários de pessoas que afirmaram ter escolhido outros candidatos no primeiro turno, mas que pretendem apoiar Lula na segunda votação. A campanha também incentivou os eleitores a conversar com amigos e familiares para conquistar novos votos.

“Converse com a sua turma, vamos virar votos”, dizia um dos trechos da propaganda.

Lula voltou a defender o fim da escala de trabalho 6×1, sem redução de salários, e apresentou propostas para diminuir o preço dos alimentos e acabar com as apostas esportivas, as chamadas bets.

O presidente encerrou sua participação com um pedido de mobilização dos apoiadores nas ruas e nas redes sociais.

“Vamos pra rua, vamos juntos ganhar essa eleição”, afirmou.

Tempo igual na propaganda

Lula e Flávio terão o mesmo tempo de exposição no horário eleitoral do segundo turno, diferentemente da primeira etapa da disputa, quando a divisão considerava a representação dos partidos no Congresso.

Cada candidato terá cinco minutos em cada um dos dois blocos diários, exibidos de segunda-feira a sábado. Na televisão, os programas vão ao ar às 13h e às 20h30. No rádio, às 7h e ao meio-dia.

As campanhas também poderão utilizar 12 minutos e 30 segundos por dia em inserções de 30 segundos distribuídas ao longo da programação.

Flávio abriu o horário eleitoral por ter recebido mais votos no primeiro turno. A ordem de apresentação será alternada nas próximas exibições. A propaganda seguirá até 23 de outubro, dois dias antes da votação que definirá o próximo presidente da República.