MT: 563 pessoas são resgatadas em condições análogas à escravidão

MPT relata condições degradantes nos alojamentos em construtora, além de inúmeras violações às normas de saúde e segurança do trabalho

atualizado

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Foto: Vagner Teixeira Maciel/GSI/PGT
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Uma operação do Ministério Público do Trabalho (MPT) resgatou 563 pessoas em condições análogas à escravidão, nessa quarta-feira (6/8), em Porto Alegre do Norte (MT). Os trabalhadores foram encontrados em uma obra da construtora Tao.

De acordo com o MPT, as condições eram degradantes tanto nos alojamentos quanto nos locais de trabalho. Além disso, o Ministério identificou várias violações às normas de saúde e segurança do trabalho.

“Os trabalhadores dormiam em quartos superaquecidos, com um ventilador para quatro pessoas, recebendo apenas um lençol fino para cobrir colchões usados e de má qualidade. Não eram fornecidos travesseiros, fronhas ou roupas de cama adequadas. Havia também superlotação, com trabalhadores dormindo no chão, sob mesas, quando não havia camas disponíveis”, relata o MPT.

Os operários também eram obrigados a seguir jornadas de trabalho irregulares. Eles trabalhavam de acordo com o “sistema cartão 2”, no qual trabalhavam além da jornada contratual de 8 horas e 48 minutos diárias, chegando a trabalhar até 22 horas e aos domingos e feriados.

As investigações contra a construtora Tao começaram após um incêndio que destruiu alojamentos no dia 20 de julho de 2025. O episódio revelou uma situação alarmante e condições degradantes de trabalho na construção de uma usina de etanol. A situação fez com que a empresa se tornasse alvo de uma investigação do MPT.

A reportagem do Metrópoles procurou a construtora Tao, mas ainda não obteve retorno.

Aliciamento de trabalhadores

Em depoimento ao MPT, as pessoas resgatadas informaram que eram abordadas por intermediários em suas cidades de origem, com uma proposta de trabalho na construtora. Os aliciadores pagavam a passagem do trabalhador até Porto Alegre do Norte, mas o valor era descontado do salário depois.

“Aqueles que não passavam no exame médico ou não eram aprovados no processo seletivo ficavam sem recursos para retornar às suas cidades. A alimentação fornecida era inadequada e repetitiva, com trabalhadores relatando a existência de larvas e moscas na comida, além de alimentos requentados e deteriorados”, relatou um dos trabalhadores.

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