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Brasil

MPRJ investiga Ruas por suspeita de lavagem de dinheiro e crime licitatório

Apuração mira crescimento de empresas ligadas ao candidato do PL ao governo do RJ e contratos de R$ 702 milhões

01/10/2026 21:33, atualizado 01/10/2026 21:38
Thiago Lontra/Alerj
Douglas Ruas após eleição para o comando da Alerj

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) abriu uma investigação contra o candidato ao governo do Rio Douglas Ruas (PL) por suspeitas de crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A apuração tramita sob sigilo no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e foi revelada pelo jornal O Globo. O Metrópoles teve acesso à portaria de instauração do Procedimento Investigatório Criminal, de 15 de julho deste ano.


Entenda o caso

  • A investigação começou após denúncia apontar conflito de interesses e enriquecimento ilícito envolvendo Ruas.
  • Segundo o documento, o MPRJ apura um crescimento patrimonial e financeiro abrupto de duas empresas ligadas ao deputado: a Saur Construção, Terraplanagem e Locação Ltda. e a DM Invest Consultoria e Participações Ltda.
  • Diligências preliminares confirmaram o vínculo societário de Ruas com as duas empresas.
  • A primeira atua no setor de construção e locação; a segunda é uma empresa de administração e investimentos.
  • O MPRJ aponta que o crescimento das empresas coincidiu com a ascensão política de Ruas e com o período em que o pai dele, Capitão Nelson, comandava a Prefeitura de São Gonçalo.

Imóveis de R$ 7,4 milhões

A apuração identificou que a Saur comprou três imóveis entre 2023 e 2025. Dois ficam em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e um em São Gonçalo, na Região Metropolitana. As três operações somam R$ 7,4 milhões.

As movimentações envolvendo escrituras de compra e venda da empresa, entre 31 de janeiro de 2023 e 27 de maio de 2025, chegam a R$ 12,23 milhões.

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Desse total, R$ 9,8 milhões estão relacionados a negócios com a EBL Participações e Empreendimentos Ltda.

O imóvel de São Gonçalo também aparece na investigação por ter sido adquirido em sociedade entre a Saur e a Normandia Empreendimentos e Participações, empresa ligada ao deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ), presidente estadual do partido.

Como Altineu tem foro por prerrogativa de função, o caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para avaliar se há fato relacionado ao parlamentar que justifique competência do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Contratos de R$ 702 milhões

A investigação incorporou ainda uma auditoria do governo do Rio sobre contratos firmados quando Douglas Ruas comandou a Secretaria Estadual das Cidades, na gestão do ex-governador Cláudio Castro.

A auditoria identificou contratos que somam R$ 702 milhões com consórcios liderados pela FP Vieira Engenharia.

Em um dos contratos, a FP Vieira subcontratou a Mineração Santa Edwiges, empresa da família de Altineu Côrtes.

Em junho, o MPRJ pediu à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) informações sobre possíveis pagamentos do governo fluminense à Saur e à DM Invest.

Já no mês seguinte, a PGE informou que não encontrou repasses às duas empresas.

O caso segue sob sigilo no TJRJ, sob relatoria do desembargador Carlos Santos de Oliveira. O Metrópoles tenta contato com a defesa de Douglas Ruas. O espaço segue aberto para manifestação.