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Brasil

MPF processa vereador do PL por expor pessoas em situação de rua no RS

Procuradoria pede indenização de R$ 500 mil e afirma que vídeos serviam para ampliar a visibilidade política de Hiago Morandi (PL-RS)

22/06/2026 19:10
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Reprodução/ TV Câmara Caxias
Imagem colorida, Hiago Morandi - Metrópoles

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou, nesta segunda-feira (22/6), uma ação civil pública contra o vereador Hiago Morandi (PL), de Caxias do Sul (RS), por dano moral coletivo causado à população em situação de rua. A Procuradoria da República pede que o parlamentar seja condenado ao pagamento de uma indenização mínima de R$ 500 mil.

De acordo com a ação, Morandi abordava pessoas em situação de vulnerabilidade em diferentes pontos da cidade para gravar vídeos que posteriormente eram publicados em suas redes sociais. Em uma das plataformas, o vereador reúne mais de 131 mil seguidores.

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Além da ação por dano moral coletivo, o MPF afirma que alguns dos vídeos registraram episódios de agressões físicas contra pessoas em situação de rua
MPF processa vereador do PL por expor pessoas em situação de rua no RS
De acordo com a ação, Morandi abordava pessoas em situação de vulnerabilidade em diferentes pontos da cidade para gravar vídeos que posteriormente eram publicados em suas redes sociais
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De acordo com a ação, Morandi abordava pessoas em situação de vulnerabilidade em diferentes pontos da cidade para gravar vídeos que posteriormente eram publicados em suas redes sociais

Câmara de Vereadores de Caxias do Sul
Além da ação por dano moral coletivo, o MPF afirma que alguns dos vídeos registraram episódios de agressões físicas contra pessoas em situação de rua
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Além da ação por dano moral coletivo, o MPF afirma que alguns dos vídeos registraram episódios de agressões físicas contra pessoas em situação de rua

Augusto Martins/Câmara Caxias / Divulgação
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MPF processa vereador do PL por expor pessoas em situação de rua no RS

Reprodução/ TV Câmara Caxias

Segundo o MPF, as gravações mostravam relatos sobre dificuldades enfrentadas por essas pessoas, como falta de moradia, alimentação e acesso a serviços públicos. No entanto, o órgão afirma que as demandas apresentadas durante as abordagens não eram encaminhadas aos órgãos responsáveis pela assistência social.

Para a Procuradoria, as entrevistas transmitiam uma aparência de atuação institucional, já que eram realizadas por um vereador em exercício. Isso, segundo a denúncia, poderia levar os entrevistados a acreditar que suas necessidades seriam acolhidas pelo Poder Público.

“O uso da condição de agente público para expor pessoas em situação de rua e transformar suas histórias e dificuldades em instrumento de promoção pessoal contribui para reforçar estigmas e naturalizar a desumanização desse grupo”, sustenta o MPF na ação.

Busca por engajamento

O processo também cita o depoimento de um assessor do gabinete de Morandi. Segundo o relato, havia reuniões semanais para avaliar o desempenho das publicações nas redes sociais, incluindo alcance, número de curtidas e estratégias para ampliar a audiência dos vídeos.

Para o MPF, esse contexto demonstra que as abordagens tinham como objetivo ampliar a visibilidade e o engajamento político do parlamentar por meio da exposição de pessoas em extrema vulnerabilidade social.

Vídeos registrariam agressões, aponta MPF

Além da ação por dano moral coletivo, o MPF afirma que alguns dos vídeos registraram episódios de agressões físicas contra pessoas em situação de rua. Os fatos relacionados a possíveis crimes foram encaminhados aos órgãos competentes para apuração.

O procurador da República Fabiano de Moraes afirma que a combinação de abordagens consideradas intimidatórias, episódios de violência e exposição pública de pessoas vulneráveis compromete a proteção garantida a esse grupo.

“A prática não apenas reforça a estigmatização e a desumanização de pessoas em situação de rua, como também afeta a integridade da Política Nacional para a População em Situação de Rua”, destacou.

O MPF defende que o caso seja analisado pela Justiça Federal por envolver possíveis violações à Política Nacional para a População em Situação de Rua, instituída pelo Decreto nº 7.053/2009. A norma estabelece diretrizes para garantir direitos humanos e promover a inclusão social dessa população.

A ação também menciona o julgamento da ADPF 976 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no qual a Corte reconheceu a situação vivida por pessoas em situação de rua como uma grave violação de direitos humanos e determinou a adoção de medidas coordenadas pelos entes públicos.

Caso haja condenação do vereador, o MPF pede que os recursos da indenização sejam destinados a programas e projetos voltados à população em situação de rua em Caxias do Sul.

Defesa se manifesta

Procurado pelo Metrópoles, o advogado Airton Barbosa de Almeida afirmou que foi procurado informalmente pelo vereador após a divulgação de informações envolvendo procedimentos no MPF e na Câmara de Caxias do Sul.

Segundo a defesa, não houve até o momento intimação ou notificação formal, e o conhecimento dos fatos ocorreu apenas por meio da imprensa e de comunicados públicos.

A defesa do vereador disse ainda que aguarda acesso integral aos documentos e provas para analisar o caso e adotar as medidas cabíveis.

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