MPF, DPU e MPAL pedem o bloqueio de R$ 1 bilhão da Braskem
Petição apresentada pelo MPF, DPU e MPAL pedem que seja garantido o cumprimento de decisão de 30 de novembro

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) apresentaram, nessa quarta-feira (13/12), petição em que requerem o bloqueio de R$ 1 bilhão da Braskem para cumprimento de liminar.
Os órgãos protocolaram petição após audiência de conciliação frustrada com a Braskem. A reunião da Justiça Federal em Alagoas ainda contou com a presença da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e terminou sem a realização de um acordo.
De acordo com o MPAL, a Braskem não apresentou proposta de avanço nas tratativas e deixou de apresentar um cronograma para implementação imediata das medidas determinadas liminarmente. Dessa forma, defendem uma nova decisão para garantir o cumprimento das medidas.
A decisão a que os órgãos se referem foi expedida em 30 de novembro. Na ocasião, a Justiça Federal, baseada em relatórios técnicos, determinou que a Braskem adotasse providências em relação ao novo mapa elaborado pela Defesa Civil Municipal.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasOs três órgãos pediram à Justiça que aplique “multa diária ao presidente da Braskem, no valor de R$ 50 mil por dia, em caso de persistência do descumprimento da ordem judicial”. Ainda defendem que, em caso de persistência do descumprimento, seja reconhecida a litigância de má-fé e configuração de ato atentatório à Justiça.
A empresa, por sua vez, argumentou que tem discordâncias técnicas e que pretende recorrer da decisão que determinou a indenização dos imóveis das novas áreas abrangidas pelo Mapa de Linhas de Ações Prioritárias, por meio do Programa de Compensação Financeira (PCF) ou pela desvalorização do imóvel.
A atualização do mapa inclui imóveis em parte do Bom Parto, da rua Marquês de Abrantes e da Vila Saém, além de imóveis no bairro do Farol, todos como área de monitoramento, cuja realocação é opcional.
Problema antigo
O problema em torno do afundamento na região em que estão localizadas 35 minas de sal-gema da Braskem só veio à tona em março de 2018, quando um forte tremor atingiu a área. Reportagem especial do Metrópoles mostrou a tragédia provocada pela mineração no local.
O risco iminente de formação de crateras levou à saída emergencial de cerca de 55 mil pessoas da área. O problema, constatado por órgãos da esfera municipal, estadual e federal, se relaciona a minas de sal-gema da petroquímica Braskem exploradas no subsolo da área urbana da capital do estado.
O sal-gema é retirado de rochas a cerca de mil metros da superfície. Ele pode ser utilizado normalmente na cozinha, mas seu uso é importante em vários processos industriais, como, por exemplo, na produção de PVC e soda cáustica.
Como mostrou reportagem do Metrópoles, grandes quantidades de sal-gema foram encontradas no subsolo de Maceió na década de 1960, e, em 1976, a empresa Salgem — que passou ao comando da Braskem em 2002 — começou a cavar minas na região, com anuência das autoridades locais.
A mineração na região só foi paralisada em março de 2019, após ter sido confirmada a relação com o afundamento.
Mina colapsa
Uma mina de sal-gema operada pela Braskem, em Maceió (AL), sofreu um rompimento neste domingo (10/12). Segundo informações da Defesa Civil, por volta das 13h15, a mina 18 afundou.
Veja vídeo do momento em que o rompimento é percebido:


















