MPF denuncia operador financeiro de Sérgio Cabral por sonegar mais de R$ 5 mi

Ele teria prestado informações falsas à Receita ao pagar o imposto de renda em 2011

atualizado 30/01/2021 10:24

Rodrigo Felix/ Gazeta do Povo

Rio de Janeiro – Apontado como um dos principais operadores financeiros do ex-governador Sérgio Cabral do Rio de Janeiro, condenado a quase 300 anos de prisão, o ex-assessor Ary Ferreira da Costa Filho foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por sonegação fiscal.

De acordo com a denúncia, Ary omitiu da Receita Federal a aquisição de cinco apartamentos, entre eles, um em Búzios, região dos lagos, e quatro na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, além de uma sala no bairro. Ele também teria escondido rendimentos provenientes de investimentos. Somados, os valores chegam a R$ 5,2 milhões referente ao ano de 2011.

Segundo a Delegacia da Receita Federal, só um apartamento de Ary na Barra da Tijuca foi avaliado em R$ 2,3 milhões. Ele é considerado pelos procuradores da força-tarefa como “um dos operadores financeiros mais importantes” da organização chefiada por Cabral.

Em um dos trechos da denúncia, o MPF explica que os “trabalhos de auditoria iniciaram-se após as diversas ações ajuizadas por este órgão de acusação no bojo da operação Lava Jato, que foram instruídas com robusto conjunto probatório que indicou a ocultação de patrimônio realizada por Ary Ferreira da Costa Filho, tendo em vista a sua evolução patrimonial desproporcional ao informado em suas declarações de Imposto de Renda”.

Fernanda Pereira, advogada de Ary Ferreira da Costa Filho, informou que só vai se manifestar depois que tiver acesso à denúncia.

Trajetória política

Na trajetória política de Cabral, ele nomeou Ary para assessorá-lo na Assembleia Legislativa do Rio em 1996, no Senado em 2004 e no governo do estado entre 2007 e 2010. O assessor especial do ex-governador pediu a exoneração em julho de 2010 e retornou ao cargo em outubro, após a campanha à reeleição.

Ele se manteve nesse cargo no governo de Luiz Fernando Pezão, e pediu exoneração depois do oferecimento da denúncia pela Operação Calicute.

Em 2017, Ary, que é agente fazendário, teve a prisão decretada pela Justiça. No mesmo ano, ele foi denunciado com o ex-governador Cabral como resultado da Operação Eficiência.

No mesmo ano, voltou a ser denunciado por lavagem de dinheiro por ações envolvendo a LRG Agropecuária (antiga consultoria Gralc) e as concessionárias de automóveis Eurobarra e Américas Barra. O MPF considerou a consultoria um empreendimento peculiar, pela notável oscilação do faturamento entre 2007 e 2015.

Em 2018, ele seria denunciado outras vezes, no esquema envolvendo a Fecomércio e, por corrupção, envolvendo os contratos da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária.

Em outubro do ano passado, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região condenou Ary a mais de 24 anos de prisão por operar com a organização criminosa.

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