MP pede ao TCU apuração sobre empréstimo do Master à cunhada de Motta
Procurador do MPTCU defende que é preciso investigar se houve uso de subsídios públicos e favorecimento. Relator é “amigo” de Hugo Motta
atualizado
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O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu a abertura de uma apuração, na Corte de Contas, sobre um empréstimo contratado pela cunhada do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o Banco Master.
A representação, assinada pelo procurador Lucas Furtado na última terça-feira (17/3), defende que o TCU investigue se o financiamento envolveu — direta ou indiretamente — subsídios públicos em linhas de crédito.
O MPTCU também pede que a Corte analise a conduta do Banco Central na supervisão do Banco Master. O caso será relatado pelo ministro Jhonatan de Jesus, indicado pela Câmara e com histórico de amizade com Motta. Ao mencionar o paraibano nas redes sociais, em 2020, o ministro classificou Motta como um “amigo deputado”.
Contrato de R$ 22 milhões
Cunhada de Motta, Bianca Araújo Medeiros contratou um empréstimo com o Banco Master para a compra de um terreno em João Pessoa (PB). Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o valor da operação foi de, ao menos, R$ 22 milhões.
O contrato foi assinado em 2024 e teve como garantia cotas da ETC Participações, empresa da qual ela se tornou controladora no mesmo ano. O terreno adquirido deve abrigar um novo bairro na capital paraibana.
Documentos obtidos pelo Metrópoles na Junta Comercial de São Paulo, onde a empresa estava registrada anteriormente, confirmam que, em março de 2024, 100% das cotas da ETC estavam “alienadas fiduciariamente ao Banco Master”.
O que diz cunhada de Motta
Em nota enviada à reportagem, Bianca Medeiros afirmou que o contrato foi celebrado “em condições usuais de mercado”. Segundo ela, a escolha do Banco Master “decorreu exclusivamente de condições negociais e operacionais apresentadas à época da contratação”.
A cunhada de Hugo Motta também declarou que sua família tem “décadas de atuação empresarial no estado da Paraíba, com investimentos realizados ao longo dos anos em diferentes setores da economia”. Bianca afirmou ainda que Motta não tem qualquer relação com a ETC Participações.
Suspeita de favorecimento
Para o procurador Lucas Furtado, há dúvidas acerca da “utilização de recursos de origem pública” na contratação do empréstimo. O procurador também aponta que não está claro se houve “tratamento favorecido na concessão do crédito, em razão de vínculo de parentesco com alta autoridade da República”.
“A meu ver, a existência de elo de parentesco entre a beneficiária do empréstimo e o presidente da Câmara dos Deputados reforça o interesse público e a necessidade de exame cuidadoso, diante do potencial risco à imagem das instituições e da possibilidade de eventual utilização privilegiada de linhas de crédito alimentadas por recursos públicos”, expôs Furtado.
Bianca Medeiros ocupou cargos nos ministérios do Desenvolvimento Regional e da Cidadania durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e foi exonerada em 2023. Formada em gestão hoteleira, ela é sócia da esposa de Motta, Luana Medeiros, na empresa Fronteira Indústria e Comércio de Minerais.
Em nota, o presidente da Câmara afirmou que o empréstimo se trata de um “negócio entre partes privadas, sobre a qual o presidente da Câmara não tem nenhuma participação”. “O empréstimo foi fechado em 2024, quando Motta não exercia a presidência da Câmara”, acrescentou.
Encontros com Vorcaro
Como mostrou o Metrópoles, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, relatou, em diálogos obtidos pela CPMI do INSS, ter mantido conversas e participado de encontros com “Hugo”, o que parlamentares consideram ser uma menção a Hugo Motta.
Em fevereiro de 2025, poucos dias depois de Motta assumir a Presidência da Câmara, o banqueiro afirmou ter participado de um jantar na “residência oficial”, com “Hugo e seis empresários”. Um mês depois, ele mencionou conversas com “Hugo e Ciro”.
