MP encontra mandados na casa de Cipriano e cita vazamento de operação

“Foi encontrada cópia da decisão dos mandados de prisão na casa de Marcos Cipriano, o que indica vazamento da operação", diz promotor

atualizado 10/05/2022 17:41

Gaeco Ministério PúblicoHugo Barreto/Metrópoles

Rio de Janeiro — A operação Calígula, deflagrada pelo Ministério Público para coibir jogos de azar, resultou em 12 novas prisões nesta terça-feira (10/5). Os delegados Adriana Belém e Marcos Cipriano estão entre os detidos. O PM reformado Ronnie Lessa e o agente Márcio Araújo foram denunciados e também estão presos.

Segundo o promotor de justiça Bruno Gangoni, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), houve vazamento da ação, o que atrapalhou o trabalho dos agentes.

“Foi encontrada cópia da decisão dos mandados de prisão na casa de Cipriano, o que indica vazamento da operação e será apurado no momento oportuno”, relatou.

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Dois bingos foram fechados na ação, com apreensão de centenas de máquinas, segundo os promotores. Os endereços ilegais ficam na Zona Oeste da cidade, na Barra da Tijuca e no Recreio.

Por intermédio de Marcos Cipriano, houve uma reunião entre a delegada Adriana Belém, Lessa e o PM Jorge Camilo, para tratar da retirada de máquinas apreendidas pela 16ªDP (Barra da Tijuca), delegacia na qual Adriana era titular. O episódio teve seu desfecho após pagamentos feitos por Rogério de Andrade, cabeça da organização criminosa de jogos de azar.

“Ficou claro que Marcos Cipriano aproveitava de vantagens indevidas e tinha interesse direto em favorecer esse esquema. Ele fez diversas reuniões e tratativas para celebrar acordos sobre o empreendimento. Os resultados desses encontros eram aguardados pelos integrantes do empreendimento, que visava uma expansão a outros estados”, explica Bruno Gangoni.

“Nas investigações da morte de Marielle e Anderson Gomes, soubemos que a família de Lessa foi até sua casa para retirar armas e jogar no mar. Posteriormente, fizemos essa relação entre Lessa e Cipriano”, explicou Fabiano Cossermelli, promotor do MP.

Marcos Cipriano, mais conhecido no esquema como “Cirpri”, foi nomeado em setembro de 2021 pelo governador Cláudio Castro como conselheiro da Agência Reguladora de Energia Saneamento Básico do Estado do Rio (Agenersa).

Em nota, a Agenersa disse que não vai comentar a decisão judicial que culminou na prisão preventiva de Cipriano, uma vez que se trata de fatos que não estão relacionados às atividades da agência e que ocorreram em período anterior à sua nomeação.

De acordo com o artigo 9º da Lei 4.556/2005, o conselheiro somente perde o mandato por condenação judicial transitada em julgado ou condenação em processo administrativo disciplinar.

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