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Brasil

Morre aos 78 anos Raimundo Carrero, escritor e jornalista pernambucano

Carrero é uma das figuras centrais do Movimento Armorial, iniciativa que buscou criar uma arte erudita a partir das raízes populares

16/06/2026 07:36, atualizado 16/06/2026 07:39
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Reprodução/X
Morre aos 78 anos Raimundo Carrero, escritor e jornalista pernambucano

O escritor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero morreu na madrugada desta terça-feira (16/6), aos 78 anos, em decorrência de um câncer. A informação foi confirmada oficialmente por sua família, que exaltou a trajetória do autor como uma das mais impactantes e fundamentais para a literatura de Pernambuco e do país.

Em nota oficial, nas redes sociais, os familiares destacaram que Carrero dedicou sua existência ao ofício das letras “com paixão, sensibilidade e compromisso”, consolidando um acervo literário que marcou gerações de leitores e moldou a identidade cultural nacional. Detalhes sobre o velório e o sepultamento ainda não foram definidos e serão divulgados posteriormente.

Carrero é um dos autores mais premiados do Brasil, com sua obra traduzida e celebrada no exterior. Entre suas principais honrarias constam o Prêmio Jabuti, o Prêmio São Paulo de Literatura, o troféu da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e o Prêmio Machado de Assis.

Entre seus livros mais aplaudidos pela crítica estão Somos Pedras que se Consomem, As Sóbrias Ruínas da Alma, Sombra Severa e O Delicado Abismo da Loucura.

Perna Cabeluda

A obra de Carrero, contudo, não ficou restrita às prateleiras acadêmicas: ele também moldou o imaginário popular de massas. Em 1976, o jornalista ajudou a dar vida à história da “Perna Cabeluda”, mito que rapidamente se transformou em uma das lendas urbanas mais famosas e duradouras da cidade do Recife.

Décadas após sua criação, o tema voltou a ganhar projeção nacional e internacional ao ser integrado ao enredo do filme O Agente Secreto, do cineasta Kleber Mendonça Filho. O resgate audiovisual recente reafirma a atemporalidade, o vigor e o legado definitivo deixados pelo escritor na cultura brasileira.

Jornalismo e ficção

Natural de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, onde nasceu em dezembro de 1947, Carrero construiu uma carreira sólida que uniu o rigor do jornalismo à profundidade da ficção. Na imprensa, atuou por 25 anos no Diario de Pernambuco, onde exerceu as funções de crítico literário e editor nacional, além de acumular passagens de destaque por emissoras de rádio e televisão.

Sua liderança institucional também deixou marcas na gestão pública e na intelectualidade do estado: ele presidiu a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e ocupava uma cadeira de imortal na Academia Pernambucana de Letras (APL).

Ao lado do dramaturgo Ariano Suassuna, Carrero foi ainda uma das figuras centrais do Movimento Armorial, iniciativa que buscou criar uma arte erudita a partir das raízes populares do Nordeste.

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