Moraes faz piadas e rebate defesas de réus em julgamento no STF
Moraes é o primeiro dos cinco ministros da Turma a proferir seu voto no julgamento de Bolsonaro e mais sete réus da chamada trama golpista
atualizado
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, durante seu voto como relator da ação penal que apura uma suposta trama golpista após as eleições de 2022, demonstra estar seguro e bem-humorado. O magistrado provocou risadas no plenário da Primeira Turma, onde ocorre o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e sete aliados.
No início do voto, Moraes, descontraído, prometeu que seria breve. Logo em seguida, disse: “Dificilmente, cumprirei minha promessa”. A brincadeira tirou risadas dos presentes.
O ministro também usou de ironia para rebater alegações das defesas e dos réus.
Ele respondeu as acusações da defesa do general e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) Augusto Heleno de que o magistrado tinha assumido um papel investigativo no caso, e afirmou que juiz não é “samambaia jurídica”.
“A ideia de que o juiz deve ser uma samambaia jurídica durante o processo não tem nenhuma ligação com o sistema acusatório. Isso é uma alegação esdrúxula. Não cabe a nenhum advogado limitar o número de perguntas que o juiz deve fazer”, declarou o ministro.
Veja o momento:
Moraes também chamou os documentos sobre fraude nas eleições encontrados no celular do deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem (PL-RJ) de “meu querido diário”.
“O réu Alexandre Ramagem confirmou a titularidade do documento e do e-mail aramagem@yahoo.com, salientando, porém, que as anotações feitas no documento eram só para ele, particulares, ele com ele mesmo. É uma espécie de diário: o meu querido diário”, disse o magistrado.
Em outro momento, o ministro chegou a afirmar que “essas pessoas não sabem diferenciar voto impresso de voto auditável”. No primeiro dia do julgamento, na terça-feira passada (2/9), a ministra Cármen Lúcia deu uma bronca no advogado de Ramagem, Paulo Renato Garcia Cintra, após sustentação oral do jurista na Primeira Turma da Corte. A magistrada corrigiu a defesa sobre o uso dos termos voto e processo eleitoral auditável.
“O advogado fez muitas referências à inexistência ou que teria havido uma campanha pela eleição/processo auditável e que isso foi objeto de uma emenda constitucional. Mas Vossa Senhoria sabe a diferença entre processo eleitoral auditável e voto impresso? Você repetiu como sinônimo e não é. O processo eleitoral é amplamente auditável no Brasil”, advertiu Cármen na ocasião.
Com o voto do relator do caso, a Primeira Turma da Corte reiniciou, nesta terça-feira (9/9), o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete aliados por suposta trama golpista, que tinha como intenção impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2022.
Acompanhe o julgamento ao vivo:













