Ministro da Educação diz que "abre mão" de ver questões antes do Enem
Milton Ribeiro afirmou que pretende evitar acusações de censura, mas garante que prova não terá "viés ideológico ou partidário"

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou em audiência na Comissão de Educação da Câmara, nesta quarta-feira (9/6), que “abriu mão” de ver previamente as questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021, para evitar acusações de censura.
“Se houver desconfiança da sociedade de que o ministro não pode ter acesso a informações sigilosas a respeito da pasta, esse ministro não pode sentar na cadeira mais. E considerando o ambiente que vivemos e a lisura, eu abri mão completamente de conhecer previamente e conhecer as questões” explicou o ministro.
Ribeiro afirmou ter consultado o corpo técnico do Ministério da Educação (MEC) para estudar a possibilidade de ter acesso prévio às questões.
No entanto, segundo o ministro, o próprio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) será suficiente para garantir que “prova avalie conhecimento dos candidatos, evitando que a seleção se baseie na visão de mundo de cada um deles”.
A decisão do ministro veio após sua entrevista à CNN, na última quinta-feira (3/6), em que ele criticou questões de edições anteriores do Enem. Em sua fala, Ribeiro citou uma pergunta da prova de 2020 que usava a diferença salarial entre Neymar e Marta para tratar sobre a desigualdade de salários entre homens e mulheres.
Ele também lembrou uma questão de linguagens que falava sobre o dialeto de gays e travestis, conhecido como pajubá.
“Quero deixar claro, portanto, de maneira até antecipada, que orientei o Inep, no papel de supervisão ministerial, para que a prova tenha caráter técnico sem viés ideológico ou partidário de qualquer matiz”, ressaltou o ministro na audiência desta quarta-feira.

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