Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Ministra de Direitos Humanos defende investigação do massacre no Pará

Luislinda Valois demonstrou preocupação com a perícia do local, que só foi realizada depois que os corpos foram retirados

26/05/2017 17:06
Reprodução/Geledés
Ministra de Direitos Humanos defende investigação do massacre no Pará

A ministra de Direitos Humanos, Luislinda Valois, defendeu nesta sexta-feira (26/5) que a investigação do massacre de dez sem-terra, em Pau D’Arco, no sudeste paraense, seja controlada pelos órgãos públicos de Marabá, cidade a 426 quilômetros de distância que concentra delegacias especializadas em assassinatos no campo, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ela demonstrou preocupação com a perícia do local da chacina. Os peritos de Marabá e Parauapebas só chegaram à área do crime depois que policiais do município de Pau D’Arco tinham retirado os corpos. “Não podemos deixar que a coisa transcorra de qualquer maneira”, afirmou a ministra. “A perícia tem de ser feita com muito empenho e dedicação.”

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters
O massacre dos sem-terra ocorreu na manhã da última quarta-feira durante uma reintegração de posse da Fazenda Santa Lúcia. Entidades de direitos humanos reclamaram que a ação foi pedida pela Justiça à Polícia Militar lotada no município, sem experiência em despejos. Famílias dos sem-terra mortos disseram que os agentes chegaram atirando, negando versão de que houve confronto.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Uma equipe do Ministério dos Direitos Humanos foi enviada ao Pará para acompanhar as primeiras informações e levantamentos sobre o massacre. “A situação é vexatória, constrangedora e inadmissível. Em pleno século XXI, essa situação não pode ocorrer”, disse Luislinda Valois. “Como ministra, como cidadã e como ser humano não posso aceitar o que ocorreu. Ninguém pode aceitar”, disse.

A ministra ressaltou que confia no trabalho de juízes e procuradores na elucidação e punição dos culpados pelo massacre. A preocupação de Luislinda com a perícia e as investigações em Pau D’Arco, no entanto, é embasada com levantamentos apresentados por entidades da área de direitos humanos.

Raros casos de assassinatos de sem-terra, especialmente no sudeste paraense, se transformaram em denúncia do Ministério Público ou os autores dos crimes foram julgados e condenados pela Justiça. Na região ocorreu, em abril de 1996, um dos casos mais emblemáticos da violência no campo. A polícia militar executou de 19 sem-terra na Curva do S, em Eldorado do Carajás.

Ao comentar sobre a onda de violência no campo, Luislinda Valois disse que é preciso desencadear ações concretas em todos os níveis de governo. Também avalia a necessidade e buscar entendimento com segmentos empresariais do setor rural. “Não podemos abrir mão de conversar com nenhum segmento da sociedade”, afirmou.

Ainda nesta sexta, ela se encontrará com o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, para avaliar a situação das vítimas da chacina do Pará.