Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Ministério de Marina critica PL do licenciamento ambiental: "Afronta"

Projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental foi aprovado pelo Senado por 54 a 13, na noite desta quarta-feira (21/5)

21/05/2025 20:27, atualizado 21/05/2025 21:42
Mario Agra/Câmara dos Deputados
marina silva câmara - Metrópoles

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) se posicionou, nesta quarta-feira (21/5), contra o projeto de lei (PL)  nº 2.159/2021, que cria a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, e foi aprovado por 54 a 13 pelo Senado Federal. Em nota, a pasta definiu o texto como uma “afronta diretamente a Constituição Federal”.

Nessa terça-feira (20/5), a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou de forma simbólica o projeto. O texto passou, em seguida, pela Comissão do Meio Ambiente e chegou ao plenário do Senado, onde obteve maioria dos votos favoráveis.

Em nota, o MMA reforçou que o PL representa uma “desestruturação significativa do regramento existente sobre o tema”, além de ” representar risco à segurança ambiental e social no país.

“Afronta diretamente a Constituição Federal, que no artigo 225 garante aos cidadãos brasileiros o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, com exigência de estudo prévio de impacto ambiental para instalação de qualquer obra ou atividade que possa causar prejuízos ambientais”.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

A pasta defende que o projeto viola o princípio da proibição do “retrocesso ambiental, que vem sendo consolidado na jurisprudência brasileira, segundo o qual o Estado não pode adotar medidas que enfraqueçam direitos”.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Celebrado de um lado, criticado do outro

No início do mês, os relatores nas duas comissões, Confúcio Moura (MDB-RO) e Tereza Cristina (PP-MS), decidiram apresentar um relatório único nos dois colegiados após chegar a um consenso, para o qual o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi peça importante. A proposta é celebrada pelo agronegócio, enquanto é alvo de críticas de ambientalistas.

Um dos pontos de críticas dos ambientalistas é o trecho que diz que a licença ambiental poderá ser dispensada, por meio da chamada licença por adesão e compromisso (LAC), que é auto declaratória, para empreendedores de pequeno e médio porte, com baixo ou médio potencial poluidor.

“Ao permitir que a definição de atividades sujeitas ao licenciamento ambiental ocorra sem coordenação nacional e fora do âmbito de órgãos colegiados, como o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e os Conselhos Estaduais e Municipais, o projeto pode promover a ação descoordenada entre União, Estados e Municípios no processo de licenciamento ambiental e desarticular os mecanismos de participação social”, critica o MMA.

A pasta entende o PL como omisso em relação à crise climática. “A proposta terá impacto negativo para a gestão socioambiental, além de provocar, possivelmente, altos índices de judicialização, o que tornará o processo de licenciamento ambiental mais moroso e oneroso para a sociedade e para o Estado brasileiro”, frisa o ministério em nota.

Por fim, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lista os principais retrocessos trazidos pelo PL. São eles: a licença por Adesão e Compromisso (LAC), fragilização do SISNAMA e do papel do ICMBio, omissão ante impactos indiretos e sinérgicos e o questionamento de condicionantes e dispensa para atividade agropecuárias.