Ministério da Saúde vai liberar recursos para municípios no ES
Recursos do governo serão investidos na saúde pública de municípios do Espírito Santo atingidos pelo rompimento de barragem em Mariana (MG)
atualizado
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O Ministério da Saúde vai liberar recursos para recuperar e ampliar a infraestrutura de saúde de municípios do Espírito Santo atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). O anúncio será feito pelo ministro Alexandre Padilha, ao lado do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, em Brasília, nesta quinta-feira (12/2).
Além da liberação dos recursos, a pasta apresentará um Plano de Ação em Saúde voltado ao estado. As medidas fazem parte do Novo Acordo do Rio Doce e estão inseridas no programa Agora Tem Especialistas, iniciativa que busca reduzir o tempo de espera por atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre as ações previstas estão a realização de mais cirurgias, a construção de novas unidades de saúde e o fortalecimento da vigilância ambiental e toxicológica. O objetivo é ampliar a capacidade de atendimento e monitorar possíveis impactos persistentes da tragédia na saúde da população.
Rompimento da barragem de Fundão
O rompimento da barragem de Fundão ocorreu em 5 de novembro de 2015 e é considerado o maior desastre ambiental da história do país. A estrutura, pertencente à Samarco – empresa controlada pela Vale e pela BHP Billiton –, armazenava rejeitos de mineração.
O colapso liberou mais de 50 milhões de metros cúbicos de lama e resíduos de minério de ferro, volume equivalente a cerca de 46,3 mil piscinas olímpicas, segundo o Ministério Público Federal (MPF).
A enxurrada de rejeitos atingiu mais de 40 municípios em estados da região Sudeste – Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia –, três reservas indígenas e uma área de Mata Atlântica equivalente a mais de 220 campos de futebol.
De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), pelo menos 400 espécies da fauna e da flora foram impactadas, incluindo entre 64 e 80 espécies de peixes, 28 de anfíbios, de 112 a 248 de aves e 35 de mamíferos. A tragédia deixou 19 mortos e afetou mais de 600 mil pessoas ao longo da bacia do Rio Doce.
Tragédia foi além do meio ambiente
Os efeitos, no entanto, não se limitaram ao meio ambiente. Um estudo coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgado em 2018, apontou que 12% dos atingidos apresentavam sintomas de estresse pós-traumático três anos após o desastre. Entre crianças e adolescentes, o índice chegou a 83%.
A pesquisa ouviu 271 pessoas impactadas pelo rompimento. Os entrevistados relataram quadros de depressão, ansiedade, insônia, aumento de problemas cardiovasculares e pensamentos suicidas. Segundo o levantamento, três em cada dez vítimas desenvolveram depressão. Entre crianças e adolescentes, a incidência foi de 39%.















