Ministério da Saúde perde 25,7 mil servidores durante a pandemia
Do total, 21,4 mil eram temporários, e 4,3 mil, efetivos. Somando os dois tipos de empregados, isso significa uma redução de 18,3% do quadro
atualizado
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Um em cada 10 funcionários do Ministério da Saúde deixou de trabalhar no órgão que lidera o combate à pandemia de coronavírus no Brasil entre março de 2020 e o mesmo mês deste ano. No período, o quadro de pessoal do órgão teve perda líquida de 21,4 mil temporários e 4,3 mil servidores efetivos.
As informações são do Painel Estatístico de Pessoal e foram levantadas pelo (M)Dados, núcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles. Elas se referem ao período de pandemia de Covid-19 no Brasil.
A quantidade total de funcionários temporários no Ministério da Saúde caiu de 90.257, em março de 2020, para 63.181, no mesmo mês de 2021, uma redução de 30%, quase um terço do total. Entre os efetivos na ativa, aqueles que têm estabilidade, a redução foi de 5,3% em apenas um ano. O quadro total passou de 80,8 mil para 76,5 mil.
“Historicamente, o Ministério da Saúde tem uma defasagem de pessoal importante. Essa diminuição é um ponto de atenção, porque é um ministério estratégico, que precisa estar sempre nas melhores condições para realizar suas atividades”, avalia o coordenador do Laboratório de Inovação e Estratégia em Gestão Pública da Universidade de Brasília (UnB), Antonio Isidro.
Para ele, há duas grandes forças em ação que levam à saída de funcionários temporários do MS. A primeira é o cenário de restrição fiscal, que tem um impacto forte nos contratos dessa força de trabalho. “Estamos em um período de restrição de recursos, dificuldade de retomada da atividade econômica, que incide na diminuição de receita para o Estado e, consequentemente, no contingenciamento e bloqueio de orçamento”, disse. O segundo fator é a própria pandemia, que aumentou a demanda por profissionais de saúde, e muitos foram trabalhar em outros lugares.”
Em relação aos temporários, a maior dispensa líquida aconteceu entre agentes de saúde pública. Foram 5,4 mil funcionários a menos no período. Esses profissionais atuam diretamente em contato com a população, visitando famílias para monitorar as demandas de saúde de cada indivíduo.
Em seguida, estão os agentes de combate a endemias, cuja diminuição foi de 4,5 mil pessoas. Uma quantidade semelhante de guardas de endemia temporários também saiu do Ministério da Saúde no mesmo período. Ambas as categorias atuam na luta contra doenças como dengue e malária, auxiliando no controle do mosquito transmissor da doença, entre outras tarefas.
Quanto aos servidores estatutários, não é possível dizer o local onde trabalhavam antes de deixar o ministério. Nesse caso, a diminuição acontece por morte, aposentadoria ou transferência para outra pasta sem que ocorra uma reposição.
Questionado pela reportagem, o Ministério da Saúde respondeu que “em março de 2020, a pasta contava com 4.211 servidores temporários. Em março de 2021, o número era de 3.894. Portanto, a perda líquida no período foi de 317 funcionários temporários”.
Os dados da pasta se referem apenas aos contratos temporários da União, uma das modalidades existentes para contratação temporária no Executivo federal. Eles não incluem os médicos contratados pelo Mais Médicos, por exemplo, que estão nos dados da reportagem.
“É importante destacar, ainda, que a pasta não tem, em seu quadro funcional de temporários, os cargos de guarda de endemias, de agente de combate às endemias, de agente de saúde pública e de auxiliar de enfermagem. Estes cargos são ocupados por servidores efetivos do quadro do Ministério da Saúde”, acrescenta a pasta.









