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Mineira assassinada na Irlanda viajou para ajudar a mãe: “Vida melhor”

Mineira Bruna Fonseca, 28 anos, foi encontrada morta na cidade irlandesa de Cork em 1º/1. Ex-namorado é o principal suspeito do crime

atualizado

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Arquivo Pessoal
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1 de 1 brunca-fonseca-morte-irlanda - Foto: Arquivo Pessoal

Familiares ouvidos pelo Metrópoles disseram que Bruna Fonseca, 28 anos, viajou para a Irlanda, em setembro de 2022, para ajudar a mãe com as contas de casa. A mineira foi encontrada morta, com sinais de estrangulamento e espancamento, nesse domingo (1º/1), na cidade de Cork, na Irlanda.

Ex-namorado da vítima, Miller Pacheco, 29, foi preso pela polícia irlandesa na tarde dessa segunda-feira (2/1) como principal suspeito pelo crime. Ele será apresentado à Justiça na próxima semana.

Agentes de segurança receberam uma notificação às 6h30 do primeiro dia do ano para atender o caso na Liberty Street, no centro de Cork. Quando chegaram lá, os policiais encontraram a brasileira desacordada. Após sessões de reanimação sem sucesso, a equipe constatou que a vítima estava morta.

“Elas duas tinham uma conexão sem igual. A Bruna pedia sanduíche em aplicativo lá da Irlanda para chegar à casa da minha mãe, para se ter uma ideia. O sonho dela era dar uma vida melhor para a nossa mãe”, contou Fernanda Fonseca, 33, irmã da vítima.

A mineira, nascida na cidade de Formiga (MG), se formou em biblioteconomia pela Unifor, em 2016, e trabalhou como auxiliar administrativa na cidade mineira para conseguiu o dinheiro da viagem ao país europeu. Aos fins de semana, Bruna aproveitava para fazer bicos como garçonete em festas da cidade a fim de complementar a renda.

“Ela chegou a vender a moto também, tudo o que ela tinha, para ter o dinheiro da viagem. Nós todos viemos de uma família humilde, e foi ela, justamente a caçula, que teve a coragem de fazer o que nenhuma outra irmã teve pela nossa mãe”, ressaltou Fernanda.

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Relação com ex-namorado

Antes de partir, porém, Bruna morou em Franca, município do interior de São Paulo. A mudança para a cidade ocorreu em 2019, quando a auxiliar administrativa foi morar com o então namorado, Miller Pacheco, principal suspeito do feminicídio.

“Ele se mostrava uma pessoa tranquila para toda a nossa família. A única coisa que sabíamos era que ele era muito ciumento. Sempre pareceu muito menino, e a Bruna estava em outra fase da vida, visando coisas maiores”, disse Fernanda.

Pouco antes de viajar para a Irlanda, Bruna terminou com o namorado e voltou para Formiga a fim de se organizar para a mudança. Miller, porém, insistiu no relacionamento e acompanhou a mineira até Cork, em dezembro de 2022.

Em solo europeu, o casal tentou uma vida a dois mais uma vez, mas Bruna terminou o namoro novamente por incompatibilidade.

“Ele não se adaptou bem à Irlanda, não gostava do clima, e não conseguiu se ajustar no mercado de trabalho de lá. Minha irmã nunca deixou de gostar dele, mas decidiu encerrar o relacionamento como amigos, porque não tinham mais como seguir juntos”, relatou Fernanda.

Os familiares não tinham conhecimento de outros detalhes da vida de Bruna na Irlanda depois do término, porque a mineira sempre foi reservada. Tudo que sabiam era que Miller não tinha recebido bem a ideia de acabar o relacionamento; por isso, perseguia a ex-namorada onde ela ia. Antes da viagem, porém, sempre encararam o homem como uma pessoa “tranquila”.

“O que fica para nós de lição é que, se você é uma pessoa que está passando por uma situação abusiva no relacionamento, fale com sua família, fale com os seus amigos. Nós não sabíamos o que estava acontecendo com a Bruna lá. Se você está sofrendo com algo assim, procure ajuda”, reforçou a irmã.

Conexão com sobrinha

O marido de Fernanda, Fábio Azevedo, 37, lembra que, antes de viajar para a Irlanda, Bruna pediu para ficar 10 dias com a sobrinha em casa para matar toda a saudade antecipadamente. “Ela era uma tia excelente, não desgrudavam nunca. Pareciam mãe e filha”, contou o caminhoneiro.

De acordo com Fábio, “tia Bu” foi a terceira palavra que a filha, Manuella Fonseca, hoje com 10 anos, falou quando era bebê.

“Ela deixou um grande exemplo para a nossa menina. Todos ficamos arrasados com a partida, mas com a certeza de que a Bruna foi um exemplo de carisma, bondade e esforço. Além da coragem de encarar a viagem para a Irlanda”, destacou o cunhado.

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