Milhares de bolsonaristas deixaram Goiânia com destino a Brasília

Fila de 21 ônibus, todos lotados, saiu à 1h50 da capital. Grupo liderado por representantes da direita goiana passará o dia na Esplanada

atualizado 07/09/2021 9:17

bolsonaristas saem de goiânia na madrugada, com destino a brasília, para ato de 7 de setembroVinícius Schmidt/Metrópoles

Goiânia – Mais de 1 mil apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) saíram de Goiânia na madrugada desta terça-feira (7/9), com destino a Brasília, onde participarão da manifestação do 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios.

Eles foram divididos em dezenas de ônibus de turismo, fretados por representantes da direita em Goiás que, nas últimas semanas, encarregaram-se de mobilizar e aglutinar a militância para participar do ato na capital federal.

Só das imediações do estádio Serra Dourada, que fica às margens da BR-153, saiu uma fila de 21 ônibus, por volta da 1h50. Todos os veículos estavam lotados e, mesmo nos que possuíam ar-condicionado, havia muitas pessoas sem máscara.

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Desde o início da concentração, por volta das 22h, era perceptível como a maioria não fazia questão de se proteger da Covid-19, conforme a reportagem do Metrópoles verificou até o momento da saída dos ônibus.

A maioria vestia roupas verde e amarelo, segurava bandeiras do Brasil e até vuvuzelas, com a empolgação característica de Copa do Mundo.

Mobilização

Pela proximidade entre as duas cidades, os esforços dos líderes da direita local para levar o maior número possível de pessoas de Goiânia foi grande, apesar de a capital goiana estar com uma carreata programada para as 9h desta terça, saindo do autódromo.

Nos grupos de WhatsApp dos apoiadores de Bolsonaro em Goiás, a divulgação das caravanas começou ainda na primeira quinzena de agosto. Em alguns casos, cada pessoa que saiu de Goiânia chegou a pagar, em média, R$ 40, mas a reportagem verificou que muitos foram levados de graça.

Na organização, estavam pessoas ligadas à Frente Conservadora, presidida pelo pastor Jeniffer Crecci, um dos que chegou sem máscara ao local da concentração; e também ao grupo Calibre da Liberdade, movimento pró-arma que realiza eventos e feira de armamentos.

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Ônibus número 13

Os ônibus foram posicionados lado a lado, no local da concentração, e, em cada um deles, havia um número de identificação no vidro da frente, para ajudar as pessoas a descobrirem em qual veículo elas deveriam embarcar.

O detalhe principal, e que virou piada entre alguns manifestantes, foi o ônibus de número 13, associado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e, portanto, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, possível adversário de Bolsonaro na eleição do próximo ano.

“Até o ônibus 13 já chegou, mas o meu não”, brincou um dos militantes que aguardava no local. “Treze? Tem esse ônibus mesmo? Deviam ter pulado esse número”, complementou outro.

Farofa e bala Halls

Já imaginando o “perrengue” que passariam durante o dia, na Esplanada, algumas das pessoas que foram na caravana tentaram se precaver de alguma forma. Para comer, muitos levaram farofa, biscoitos, frutas e outros produtos.

No grupo de WhatsApp, a troca de informação sobre o que levar e o que não levar foi grande durante a segunda-feira (6/9). Alguns, inclusive, atentaram-se para o fato de que não teriam como escovar os dentes. Solução: bala Halls e chicletes variados.

Uma espécie de kit de sobrevivência foi compartilhado por alguns. “Não dá para ficar andando com bolsa pesada”, aconselhou uma das integrantes do grupo.

Outra caravana menor saiu, quase no mesmo horário, da Praça Cívica, no centro de Goiânia. Além disso, estavam previstos ônibus que partiriam de cidades do interior e da região metropolitana de Goiás, como Aparecida de Goiânia, Inhumas e Caldas Novas.

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