MG: idoso de 93 anos é resgatado de trabalho análogo à escravidão

Homem trabalhava como caseiro de um sítio, sem carteira assinada, férias e 13º. Situação degradante durou 26 anos

atualizado 18/11/2021 23:31

Polícia FederalPolícia Federal/ Divulgação

Um idoso de 93 anos foi resgatado por auditores-fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais (SRTb/MG), nesta quinta-feira (18/11), em São João del Rei, Minas Gerais.

O homem vivia em um sítio localizado na zona rural da cidade. Ele trabalhava como caseiro da propriedade, sem carteira assinada, férias e 13º salário.

Segundo os auditores fiscais, o homem foi submetido à condição análoga à de escravo por 26 anos.

A residência ocupada pelo idoso era fornecida pelos patrões e estava em condições precárias, com o telhado quebrado, a varanda a ponto de desabar, os forros apodrecidos e as fiações elétricas expostas e com gambiarras.

“A esposa do trabalhador disse durante a ação fiscal que era necessário desligar o relógio de luz quando chovia para evitar o risco de choques elétricos, ficando o casal, portanto, molhado, com frio e no escuro. A família tentava, em vão, evitar as goteiras colando fita crepe no forro.”, afirma o auditor-fiscal do Trabalho Luciano Rezende.

No banheiro da casa, a descarga do vaso sanitário não funcionava há anos. A família era obrigada a usar baldes, e não havia pia para lavar as mãos. O casal utilizava uma vasilha para fazer as necessidades dentro do quarto.

A ação de resgate foi realizada em parceria com o Ministério Público do Trabalho e a Polícia Federal.

Depois de ser resgatado, o idoso foi acolhido por parentes. Os patrões foram notificados para recolher o FGTS devido ao trabalhador e, ao todo, foram lavrados 12 autos de infração.

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