MG: delegada casada com suspeito de matar gari é afastada das funções

A licença para a delegada começou em 13 de agosto, mas só foi publicada no Diário Oficial do estado no sábado (23). Afastamento é de 60 dias

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1 de 1 Foto colorida de René da Silva Nogueira Júnior ao lado da esposa, a delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira - Metrópoles - Foto: Reprodução/ Redes sociais

A delegada Ana Paulo Lamego Balbino Nogueira está afastada das funções na Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) por 60 dias. Ela é casada com o empresário René Nogueira Júnior, suspeito de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes. O crime ocorreu em 11 de agosto.

A licença para a investigadora começou em 13 de agosto, mas só foi publicada no Diário Oficial do estado desse sábado (23/8). O afastamento foi concedido pelo Hospital da Polícia Civil dois dias após o crime. O documento médico não especifica a condição de saúde da delegada. O prazo do afastamento pode ser prorrogado conforme avaliação da equipe médica.

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Renê da Silva Nogueira Junior, de 47 anos
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Delegada Ana Paula Balbino Nogueira, esposa de Renê, suspeito de matar gari em BH
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Delegada Ana Paula Balbino Nogueira, esposa de Renê, suspeito de matar gari em BH

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Apesar de René isentar a esposa de qualquer culpa no homicídio, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu a “responsabilização solidária” de Ana Paula. A arma usada no crime, uma pistola .380, pertence a ela.


Entenda o caso

  • René foi preso há duas semanas por atirar e matar o gari, em Belo Horizonte (MG). Inicialmente, ele chegou a alegar que a discussão começou após uma briga de trânsito, no entanto, testemunhas afirmaram que não houve discussão e que apenas tentavam auxiliar o autor a passar com seu veículo.
  • O empresário conduzia um veículo e teria ameaçado a condutora do caminhão da coleta de lixo e dito que iria “atirar na cara dela”, caso não desse passagem. Na sequência, ele teria disparado contra os garis e atingido Laudemir.
  • Após atirar contra o gari, René foi para a academia malhar, local onde foi preso.

Investigação

No DO, a direção-geral do Hospital da Polícia Civil incluiu o nome de Ana Paula na listagem de servidores a quem seria concedida licença “para tratamento de saúde”. Ana Paula não se pronunciou desde a morte de Laudemir e a prisão do marido.

A Corregedoria da Polícia Civil abriu um procedimento disciplinar para apurar a conduta da delegada no caso. Uma perícia confirmou que a pistola calibre .380 utilizada do crime pertence à servidora. Ela não foi afastada do cargo, na ocasião da abertura do procedimento, ante a ausência de indícios de participação no caso.

Em depoimento, René disse ter aberto fogo “em razão de uma discussão de trânsito”, mas colegas da vítima negam ter havido qualquer briga.

O MP defende que a delegada responda “solidariamente” porque a arma utilizada no crime era dela. O carro que o acusado dirigia no momento da suposta “discussão de trânsito” também estava no nome de Ana Paula.

O Ministério Público argumentou que o padrão de vida exibido pelo casal nas redes sociais e as trajetórias profissionais “fazem presumir a capacidade financeira para arcar com uma vultuosa quantia indenizatória”.

Confissão

Em 18 de agosto, Renê confessou à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) que matou Laudemir Fernandes. Ele alegou que não havia tomado a medicação para bipolaridade no dia do crime, que andava armado por medo e acrescentou que só não prestou socorro porque acreditava não ter acertado ninguém com o disparo.

Segundo o empresário, ele achava que responderia, no máximo, por porte ilegal de arma, já que a pistola pertencia à esposa — a delegada da Polícia Civil Ana Paula Lamego Balbino Nogueira — e teria sido levada sem o conhecimento dela.

Durante o trajeto ao trabalho, o empresário disse ter se perdido, entrando em um beco sem saída. Populares o orientaram a retornar, e foi nesse momento que ele retirou a arma da mochila e a posicionou debaixo da perna, chegando a manipulá-la.

“Achei que não tinha atingido ninguém”

Renê afirmou à polícia que não percebeu que havia acertado o disparo. Após tentar recuperar uma munição que caiu na rua e não conseguir, ele entrou novamente no carro e seguiu viagem até o trabalho. Disse que, se soubesse que alguém havia sido ferido, teria parado para prestar socorro.

O empresário também declarou que estava muito ansioso com o novo emprego e que, por conta disso, esqueceu-se de tomar sua medicação para bipolaridade naquele dia.

Apesar de não lembrar o nome do remédio, explicou que ele serve para estabilização do humor, ou, como descreveu, para “equilibrar a cabeça”.

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