MG concentra 63% das barragens de minérios com “alto risco estrutural”

Brasil tem 19 barragens de rejeitos de minério com alto risco de acidentes: 12 delas ficam em Minas Gerais. Confira a situação das unidades

atualizado 26/01/2019 11:54

CHRISTYAM DE LIMA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Das 19 barragens de rejeitos de minério com alto risco de acidentes no Brasil, 12 ficam em Minas Gerais. Isso equivale a 63,1% do total. Duas delas têm potencial de dano médio, e para as outras 10, ele é considerado alto. Os dados constam no relatório mais recente publicado pela Agência Nacional de Mineração (ANM) sobre a situação das barragens de minério brasileiras.

ANM considera alto o risco de acidente quando há problemas nas características técnicas do local ou o estado de conservação da barragem é ruim. Já o potencial de dano é medido pelo tamanho do estrago que pode ocorrer caso haja rompimento da estrutura, “graduado de acordo com as perdas de vidas humanas e impactos sociais, econômicos e ambientais”, explica a entidade.

As barragens com alto risco de acidente de MG estão localizadas nas cidades de Belo Horizonte, Brumadinho, Itabirito, Mariana, Ouro Preto e Rio Acima. Apenas outros três estados brasileiros têm barragens de minérios com o mesmo grau de risco. São três em Mato Grosso, duas no Pará e outras duas em Rondônia.

Confira:


De acordo com o mapeamento da ANM, o risco de acidentes é médio em 54 barragens de rejeitos de minério. Nas outras 376, esse potencial é considerado baixo. Com relação aos danos que poderiam ocorrer caso houvesse acidentes nesses locais, a proporção se inverte. Em 223 barragens, ele é considerado alto. Em 142, médio, e em apenas 84, baixo (veja abaixo).


O Cadastro Nacional de Barragens 2016, publicado em 2017 pela Agência Nacional de Mineração, mapeou 449 das 839 barragens de rejeitos de minério existentes no Brasil.

Baixo risco em Brumadinho

Divulgação
Entrada do Complexo de Paraopebas, onde fica a barragem que rompeu

 

A Barragem I do Córrego do Feijão, que se rompeu nessa sexta-feira (25/1) em Brumadinho (MG), servia à Mina Feijão, de propriedade da Vale. Em 2016, a ANM considerou baixo o risco de acidentes no local. Já o potencial de dano era alto. A barragem tinha 87 m de altura e era utilizada para armazenar minério de ferro, segundo o relatório da ANM.

O Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), mantido pela Agência Nacional de Águas (ANA), atribui à estrutura que se rompeu nessa sexta-feira um “não classificado”, ou seja, não há avaliação sobre o risco de acidentes no local. O SNISB tem 3.583 barragens cadastradas – utilizadas para minérios e também para água. Destas, apenas 401 foram classificadas de acordo com o risco estrutural. Em 87 delas, ele era alto.

Em nota, a Vale afirmou que a estrutura administrativa da mina foi atingida pelos rejeitos, “indicando a possibilidade, ainda não confirmada, de vítimas”. Em boletim divulgado às 16h45, o Corpo de Bombeiros de MG informou que aproximadamente 200 pessoas estavam desaparecidas na região atingida pela lama derivada da barragem rompida.

À noite, os bombeiros informaram ter resgatado 182 pessoas com vida e tanto a prefeitura de Brumadinho quanto o governo do estado confirmaram que sete pessoas morreram. Mais corpos ainda podem ser encontrados.

Com reportagem de Natália Leal

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