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Desmatamento na Amazônia cai pela primeira vez desde 2017, diz Inpe

Áreas desmatadas somam 11,5 mil km², o equivalente ao dobro do Distrito Federal. Bolsonaro termina mandato com recorde histórico

atualizado

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Igo Estrela / Metrópoles
Floresta Amazônica, na Amazônia, proxima a área desmatada e queimada. Incêndio próximo a propriedades rurais.
1 de 1 Floresta Amazônica, na Amazônia, proxima a área desmatada e queimada. Incêndio próximo a propriedades rurais. - Foto: Igo Estrela / Metrópoles

Cerca de 11,5 mil quilômetros quadrados da Amazônia Legal foram desmatados entre agosto de 2021 e julho de 2022, revelam dados do sistema Prodes, divulgados nesta quarta-feira (30/11) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Na prática, a área degradada equivale a duas vezes o tamanho do Distrito Federal.

Houve uma queda de 11%, no entanto, em relação ao período anterior (agosto de 2020 a julho de 2021), o que surpreendeu cientistas, uma vez que o Deter, sistema de alertas do Inpe, indica aumento do desmate na região.

Essa é a primeira queda desde 2017.

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Apesar disso, o presidente Jair Bolsonaro (PL) termina o mandato com o maior crescimento de desmatamento na Amazônia Legal em relação à média dos governos anteriores.

Segundo o Prodes, o desflorestamento cresceu 59,5% entre 2019 e 2022, em relação aos quatro anos anteriores.

“O regime Bolsonaro foi uma máquina de destruir florestas. Pegou o país com uma taxa de 7,5 mil km² de desmatamento na Amazônia e o está entregando com 11,5 mil km². A única boa notícia do governo atual é o seu fim”, afirma Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

Os dados de 2022 também revelam uma explosão do desmatamento no Amazonas, o único a ter aumento no corte raso neste ano. Foram derrubados 2,6 mil km², um incremento de 13% em relação a 2021.

O Pará, mesmo com a redução de 21%, ainda lidera o ranking, com 4,1 mil km² desmatados neste ano.

“Parte dessa redução pode ser explicada por ações de controle de órgãos estaduais de meio ambiente, mas parte também pode ser explicada pelo aumento das chuvas em Mato Grosso e no Pará”, comenta Tasso Azevedo, coordenador técnico do Observatório do Clima.

O consórcio MapBiomas, coordenado por Azevedo, encontrou indícios de ilegalidade em 98% dos desmatamentos em 2021. Em contrapartida, os órgãos de controle só atuaram em 27% da área desmatada.

“A impunidade ainda predomina e precisa ser enfrentada com determinação no novo governo”, avalia.

“O novo governo precisa emitir um sinal claro de que nenhum desmatamento será tolerado e reconstruir todo o arcabouço de proteção que foi destruído. Esse caminho é vital para que o Brasil garanta sua segurança climática e retome seu papel de liderança nas questões ambientais, no cenário internacional”, acrescenta Raul do Valle, especialista em Políticas Públicas do WWF-Brasil.

Sistemas

A taxa divulgada nesta quarta-feira é do sistema Prodes, que calcula o dado oficial de desmatamento a cada 12 meses (medidos sempre de agosto de um ano a julho do ano seguinte).

Um outro sistema do Inpe, o Deter, que vigia as motosserras em tempo quase real, produz dados de alertas de desmatamento para orientar a fiscalização (que ficou essencialmente inoperante neste governo).

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