Medo de desastre faz disparar busca na internet por “Barão de Cocais”

A Vale tem utilizado tecnologia para monitorar a mina. Engenheiros usam imagens de sobrevoos com drone para identificar alterações na estrutura

atualizado

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barão de cocais
1 de 1 barão de cocais - Foto: Vale/Divulgação

Com o receio de uma nova tragédia ocasionada pelo rompimento de uma barragem, como ocorreu em Mariana e Brumadinho (MG), os brasileiros têm recorrido à internet em busca de informações sobre mais uma mina ameaçada de ruir. A busca pelo termo “Barão de Cocais barragem” aumentou 4.850% nos últimos 30 dias, segundo análise de dados obtidos pelo Google Trends – ferramenta que calcula o número de pesquisas no Google. A procura é ligada a uma tensão que se arrasta há quase três meses e ganhou repercussão nas últimas semanas: o possível rompimento dessa estrutura, distante apenas 80 km de Belo Horizonte, capital mineira.

A movimentação de um talude – espécie de parede de escora –, na mina do Congo Soco, pode pressionar uma barragem em Barão de Cocais e levá-la a ruir. A Vale, mineradora responsável pela estrutura, monitora a situação, enquanto o nervosismo e a curiosidade pela tragédia aumentam. Nessa sexta-feira (31/05/2019), partes do talude desmoronaram. Há trechos com fissuras e rachaduras.

Para se ter dimensão da busca pelo assunto, a pesquisa por “barragem” subiu 1.750%, no mesmo período. Minas Gerais e São Paulo são os estados que mais consultaram. A cada centímetro que o talude cede, cresce a apreensão por um desastre como o de Mariana, em 2015, e o de Brumadinho, em janeiro deste ano.

A Vale se diz preparada para o hipotético rompimento. Os engenheiros trabalham com duas possibilidades. A menos grave é que o talude desmorone, caia na Mina de Congo Soco, e a estrutura absorva o impacto sem prejuízos. A outra: o choque comprometeria a edificação e ela viria abaixo, afetando três municípios.

 

Além de Barão de Cocais, outros dois municípios estão na rota da possível destruição: Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo. Ao menos 10 mil pessoas podem ser atingidas pelo desastre. Na região, bancos, agências dos Correios e supermercados chegaram a fechar.

Sobrevoos com drone
A mineradora tem usado a tecnologia de drones para monitorar a mina. Engenheiros usam imagens de sobrevoos com os aeromodelos para identificar alterações na estrutura. “Esses equipamentos são capazes de detectar movimentações milimétricas da estrutura. O videomonitoramento é feito em tempo real”, explicou a mineradora ao Metrópoles, em nota.

Sobre a situação em Barão de Cocais, a Vale diz que adotou todas as medidas preventivas. “Além da retirada preventiva dos moradores, a Vale apoiou as autoridades na realização de simulados e na preparação das comunidades para todos os possíveis cenários, com equipes de prontidão permanentemente”, prosseguiu.

A empresa, apesar de ter em seu currículo acidentes do tipo, se diz preparada para esse tipo de situação. “A Vale adota tecnologias com os parâmetros mais modernos de segurança e monitoramento disponíveis hoje no mercado e de referência internacional. A empresa já possui um sistema estruturado de gestão de barragens e investe continuamente na melhoria de seus processos, buscando sempre as melhores técnicas operacionais e tecnologias”, ressaltou o texto.

Efeito Mariana
O primeiro acidente do tipo no Brasil ocorreu há cerca de três anos e meio, em Minas Gerais. Quando a barragem de Mariana se rompeu, varrendo cidades inteiras, um novo capítulo foi iniciado. Contudo, a Vale diz ter aumentado a cautela com o risco de acidentes.

“A Vale é comprometida com a segurança de suas estruturas. Possuímos um sistema estruturado de gestão de barragens, que engloba diversas ações técnicas e de governança. Investimos continuamente na melhoria de seus processos, buscando sempre as melhores técnicas operacionais e tecnologias para assegurar a estabilidade de suas estruturas”, completou a mineradora.

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