Médico que sacou arma a paciente se diz traumatizado: “Medo de sair na rua”

Ênio Studart foi preso após supostamente ter usado uma arma de fogo contra um empresário. Ele nega que tenha cometido algum crime

atualizado 14/08/2020 16:18

Reprodução

O médico carioca Ênio Studart, que se envolveu em uma confusão após ser denunciado por sacar uma arma para um paciente, contou com exclusividade ao Metrópoles detalhes do seu “dia de fúria”. Na ocasião, ele expulsou o empresário Luizmar Quaresma Brum de seu consultório, e acabou preso.

Hoje, fora da prisão, ele se diz “traumatizado” pelo episódio. “Foi uma experiência traumatizante. A família ficou toda abalada. Foram anos de medicina que foram comprometidos por algo que aconteceu em um dia”, lamentou.

“Eu estou com medo de sair na rua e, de repente ser preso de novo. Fiquei com um certo trauma. Foi tudo muito difícil. Não sei o que eu espero do futuro, mas só quero que a Justiça seja feita”, disse Studart.

Diferentemente do que informaram a polícia e o denunciante, Studart não se vê como o agressor na história. Ele sequer assume ter sacado a arma para Luizmar.

O paciente disse que o médico o teria ameaçado com uma arma de fogo, já Studart diz que apenas pegou sua mochila, fingindo que teria algo dentro, pois temia ser agredido por Brum, que estaria com Covid-19 e poderia contamina-lo.

Ocorre que a situação tomou outro rumo quando o médico seguiu para o 16ª DP (Barra da Tijuca), para formalizar uma denúncia, e acabou preso em flagrante. Isso porque dois policiais civis revistaram o seu carro e encontraram um arsenal de duas armas, munição, uma faca e um soco inglês (veja foto abaixo).

O médico, em sua defesa, disse para a delegada Fernanda Noethen, responsável pelo caso, que é atirador esportivo e que iria depois do expediente no consultório treinar para um campeonato que aconteceria nos próximos dias. Portanto, seria legalmente autorizado a transportar as armas.

“Não tenho rancor”

Studart disse que, mesmo traumatizado, não sente raiva do paciente, que ele diz não estar sendo sincero em suas acusações. Luizmar foi internado no dia 4 de agosto por causa de um problema no coração e precisou passar por uma cirurgia.

“Eu não tenho raiva do Sr. Luizmar. Acredito que ele também devia estar nervoso por conta da pandemia e acabou tendo aquela atitude. E eu espero que ele se recupere”, disse Studart.

Studart alega que ele mesmo foi o agredido na história. Brum teria dito a Studart, na consulta do dia 30 de julho que deu origem à briga, que tinha feito os chamados “testes rápidos” para detectar o coronavirus e que teria demonstrado que estava com Covid-19. O médico respondeu que eles têm pouca precisão e grande chance de falsos positivos. “Ele poderia não ter sido infectado antes e muito bem estar com Covid naquele momento”,  falou.

Na sequência, ele diz que passou a fazer uma série de perguntas que teriam irritado o paciente. Foi nesse momento que a discussão começou. Após as trocas de ofensas, os dois partiram para a briga e, assegura Studart, cada um conta uma versão.

Para o médico, está claro que ele é a vítima. E ele promete ações judiciais para penalizar o suposto agressor. O advogado Bruno Rodrigues, que defende Studart nesta ação, informou que irá pedir a absolvição sumária do médico.

“Vamos apresentar a resposta à acusação pedindo a absolvição sumário dele do crime de porte, uma vez que ele é atirador e encontra-se com toda a documentação regular junto ao exército e, em não sendo aceita, recorreremos ao Tribunal de Justiça do Rio e depois ao STJ, se necessário”.

Prisão

Para a delegada do caso, Fernanda Noethen, mesmo o fato de Studart ter as autorizações para o transporte das armas em dia não foi o suficiente. Ele ficou detido por 8 dias. A responsável pelo caso chegou a pedir R$ 30 mil de fiança para liberá-lo, contudo, mudou de ideia e declarou o caso inafiançável.

O advogado do médico entrou então com um pedido de habeas corpus, alegando que o médico cumpre todos os requisitos para aguardar em liberdade: “É réu primário, tem renda comprovada e residência fixa e não apresenta risco à sociedade”.

No dia 6 de agosto, a juíza da 42ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, Alessandra Moreira Pinto, acatou o pedido do delegado e decretou que ele poderia responder ao processo em liberdade.

CRM

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) informou que abriu sindicância para apurar os fatos, mas o procedimento é sigiloso.

“O Cremerj ainda reitera que é veementemente contrário a qualquer tipo de violência e que a boa prática da medicina depende do bom relacionamento entre médico e paciente”, diz a nota.

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