Médico da PM, Doutor Bacana é acusado de assédio sexual no Paraná

Tenente-coronel atribui denúncias ao fato de ser carioca e tratar pacientes de forma diferente: "Talvez algumas pessoas tenham confundido"

Igo Estrela/ MetrópolesIgo Estrela/ Metrópoles

atualizado 27/10/2019 23:26

Um médico tenente-coronel da Polícia Militar do Paraná, Fernando Dias Lima, responde por 23 denúncias de atentado violento ao pudor e outras 7 de abuso sexual contra mulheres da corporação que o procuravam em seus consultórios em unidades militares do estado.

O assunto foi tema de reportagem do Fantástico, da TV Globo, na noite deste domingo (27/10/2019), que mostrou depoimentos de mulheres que teriam sofrido assédio por parte do “Doutor Bacana”, como o tenente-coronel é conhecido.

Segundo os relatos, Dias Lima recebia as militares no seu consultório, onde por vezes trocava de roupa de portas abertas e apalpava as pacientes, ora abraçando-as com força, ora “fungando no cangote”, como disse uma das mulheres.

Médico da PM desde 2009, o Doutor Bacana foi vereador em Cascavel (PR) e era tido pelas pessoas como alguém afável. “Era amada daqui, amada dali… ele tratava todos bem”, mostrou um dos depoimentos.

Afastado
Em março de 2018, o Doutor Bacana foi afastado das atividades de oficial de saúde do 6º Batalhão de Polícia Militar e do Consórcio Intermunicipal de Saúde – Samu Oeste (Consamu).

À reportagem do Fantástico, ele apresentou dois motivos para as denúncias, as quais refuta. O primeiro foi o fato de, segundo ele, estar fazendo denúncias contra a PM, embora não tenha especificado quais.

O outro motivo seria uma “coincidência”: ele atribui ao fato de ser carioca, e, como tal, ter um jeito diferente de tratar as pessoas. “É uma forma de tratamento diferenciada. Talvez algumas pessoas tenham confundido as coisas”. O médico continua afastado de suas funções, embora continue a receber o salário de cerca de R$ 26 mil

Apuração dos fatos
À época das denúncias, em 2018, o Comando Geral da Polícia Militar do Paraná disse, em nota, que “após recebidas as denúncias, o oficial médico foi afastado da suas funções e um procedimento administrativo foi aberto para apurar os fatos, o qual será conduzido pelo coronel Washington Lee Abe, comandante regional de Cascavel”.

“O oficial encarregado vai apurar com imparcialidade e rigor todos os fatos. A corporação não compactua com desvios de conduta de seus integrantes e caso haja comprovações, para qualquer situação, os envolvidos são responsabilizados”, finalizou o comunicado.

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