MDB: diretórios pressionam por neutralidade na disputa ao Planalto
Maioria dos presidentes estaduais defende que diretórios tenham autonomia para construir alianças e que não haja coligação nacional
atualizado
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A maioria dos presidentes estaduais do MDB assinou um manifesto em defesa de que a sigla não firme coligação nem declare apoio nacional a qualquer candidatura à Presidência da República. Dezessete dos 27 dirigentes estaduais pedem que o partido adote uma posição de independência na disputa presidencial deste ano.
Liderado pelo vice-governador de Goiás e presidente da sigla no estado, Daniel Vilela, o documento deve ser entregue na noite desta terça-feira (3/3) ao presidente nacional do MDB, Baleia Rossi.
O movimento ocorre em meio à mobilização de alas do PT para atrair a legenda à candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Conhecido por abrigar diferentes correntes políticas, o MDB reúne grupos que defendem uma aliança com o petista, outros mais próximos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ainda aqueles que pregam o lançamento de uma candidatura de centro-direita ao Planalto.
Os dirigentes que assinam o manifesto defendem que os estados tenham autonomia para definir alianças e apoios a candidaturas à Presidência, levando em conta a realidade local de cada estado.
“Dentro dessas premissas, e em respeito ao espírito democrático alicerçado na vontade de nossas bases, defendemos a independência dos diretórios e do partido de modo geral na eleição presidencial, focando nossas ações prioritariamente nos processos eleitorais regionais e nas composições para as Casas Legislativas”, diz o manifesto.
No documento, os dirigentes afirmam ter “segurança” de que representam a “ampla maioria do partido, entre diretórios e lideranças”.
“No atual momento, com a proximidade do processo eleitoral, assistimos ao aumento de especulações quanto ao posicionamento do MDB frente à disputa pela Presidência da República. Como partido de maior inserção nacional, o MDB representa a diversidade de um Brasil continental e federativo, onde cada estado possui sua própria realidade social e política”, afirmam.
O texto é assinado por todos os presidentes estaduais do MDB nas regiões Sul e Sudeste. Apenas um estado do Nordeste endossou o documento: Sergipe, comandado pelo senador Alessandro Vieira.
Ala favorável a Lula diz ter votos para coligação
Presidente do MDB em Alagoas e defensor de uma aliança com Lula, o senador Renan Calheiros avaliou que os diretórios não têm força para decidir sozinhos o rumo da sigla.
Ao Metrópoles, Renan afirmou que a decisão cabe à convenção nacional do MDB. As convenções são a última etapa para a definição de candidaturas e coligações nas eleições. Pelo calendário eleitoral, devem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto.
Renan disse acreditar que, caso o PT ofereça uma vaga na chapa de Lula ao MDB, haverá maioria dentro do partido favorável à aliança.
“Quem decide o que devemos fazer é a convenção, e não os diretórios regionais. Já disse e devo repetir: se houver o convite para integrarmos a chapa do presidente Lula, ganharemos com grande diferença. Esses movimentos [como o manifesto] são naturais, já que somos um partido democrático e que se caracteriza por não ter dono”, afirmou.

