Marcos do Val vira assunto em reunião de líderes do Senado
Uma ala defende que o caso do senador no Conselho de Ética tenha andamento, enquanto outro grupo quer rever bloqueios com o STF

O senador Marcos do Val (Podemos-ES) virou uma das pautas na reunião de líderes do Senado da última quinta-feira (13/3), na residência oficial da Casa, em Brasília. Senadores cobraram do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), posicionamento em relação ao parlamentar. A conversa sobre o congressista do Espírito Santo não foi longa, e Alcolumbre ouviu todos sem dizer o que fará.
Uma ala dos líderes defendeu que uma das representações contra Do Val ande no Conselho de Ética da Casa, porque avaliam que o colega “já ultrapassou” alguns limites e causa “constrangimentos”. Outra ala foi contra andar com uma representação e pediu que o Senado dialogue com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, para rever os bloqueios contra o parlamentar.
Atualmente, existem uma denúncia e seis petições contra Do Val em tramitação no Conselho de Ética, sendo que só a denúncia já tem relator designado: Jorge Seif (PL-SC). Diferentemente do Conselho de Ética da Câmara, que se reúne com frequência, o do Senado quase não se encontra — a última reunião foi em julho de 2024.
Um líder contrário a andar com um processo no Conselho de Ética argumenta que Moraes “praticamente cassou” Do Val quando bloqueou os recursos do congressista.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo Senado, existem senadores e servidores preocupados com a saúde do colega. Recentemente, Do Val fez publicação nas redes sociais que intrigou os seguidores. Na mensagem, que foi apagada em seguida, o parlamentar dedicou o texto “aos que sempre desejaram ou ainda desejam a minha morte”.
O que diz Do Val sobre ter sido assunto na reunião de líderes
Procurado pelo Metrópoles, Do Val afirmou que todos devem ter plena liberdade de falar, pensar, agir e se expressar. “Essa é exatamente a minha luta: a defesa da democracia, da liberdade de expressão, o fim da censura e o respeito à Constituição Federal”, argumentou.
O senador disse não entender o motivo de alguém falar que sua presença “causa constrangimento para a Casa”.
“Não vejo problema algum em comentários sobre mim, sejam eles positivos ou negativos. O debate político faz parte da democracia e deve ser conduzido com transparência e respeito às instituições. No entanto, quando uma liderança menciona que minha presença causa “constrangimento para a Casa”, pergunto-me: ‘Qual o fundamento disso’?”, indagou.
E concluiu: “Se há quem se sinta constrangido pela minha atuação, sugiro que a questão seja debatida com maturidade e dentro dos princípios democráticos. O que não pode acontecer é transformar opiniões políticas em justificativas para qualquer tipo de retaliação ou tentativa de silenciamento”.

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Marcos do Val costuma fazer duras críticas a Moraes e a todos os ministros do STF, acusando a Corte de perseguição e censura. O senador também faz críticas a outros órgãos e já fez publicações contrárias ao delegado da Polícia Federal Fábio Schor, principal responsável pelas investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O senador é investigado no STF pelos supostos crimes de obstrução de Justiça. Apesar de o congressista ter bens bloqueados e o passaporte retido, Moraes autorizou que Do Val receba mensalmente 30% do seu salário de senador. A remuneração bruta de um parlamentar é de R$ 46.000.



