“Mais flores, menos pedras”, diz padre Julio sobre obra polêmica em SP

O ato ocorreu depois que a gestão Bruno Covas (PSDB) instalou pedras sob viadutos da zona leste, impedindo o acesso da população de rua

atualizado 06/02/2021 18:08

Padre Julio organiza protesto contra instalação de pedras em viadutos na zona leste de São PauloFábio Vieira/Metrópoles

São Paulo – Ocorre, na tarde deste sábado (6/2), desde as 15h, um protesto contra a Prefeitura pela instalação de pedras em viadutos da zona leste de São Paulo. O ato é liderado pelo padre Julio Lancellotti, que convocou os paulistanos a deixarem flores no local onde foram instalados os materiais que impediram o acesso à população em situação de rua por cerca de uma semana. 

No início da semana, padre Julio viralizou nas redes sociais após remover a marretadas as pedras pontiagudas colocadas pela gestão Bruno Covas (PSDB). “Nós queremos flores, e não pedras. Nós queremos uma cidade humana, e não uma cidade empedernida e empedrada”, disse.

As pedras foram colocadas, na quinta-feira (28/1), debaixo dos viadutos Dom Luciano Mendes de Almeida e Antônio de Paiva Monteira, na avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé. Entretanto, foram retirados na terça-feira (3/2), depois que as imagens repercutiram negativamente para a Prefeitura.

Desde então, as pessoas voltaram a se abrigar debaixo da obra viária. “Ver aquilo parecia a entrada de um campo de concentração. Foi um momento cansativo, difícil”, desabafou o pároco de 72 anos ao Metrópoles. Padre Julio Lancelotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo, ajuda a população em situação de rua na capital há mais de 30 anos.

Nas redes sociais, o sacerdote tem compartilhado fotos de obras parecidas contra a população em situação de rua em cidades pelo Brasil.

Prefeitura diz que obra foi “decisão isolada”

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, a instalação das pedras foi feita sem o consentimento da gestão. “A implantação de pedras sob viadutos foi uma decisão isolada, não faz parte da política de zeladoria da gestão municipal, tanto é que foi imediatamente determinada a remoção. A Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) instaurou uma sindicância para apurar os fatos, inclusive o valor, e um funcionário já foi exonerado do cargo.”

Em 2019, a Prefeitura realizou o censo da população em situação de rua e identificou 24.344 pessoas nessas condições. De acordo com os dados oficiais, 11.693 estão acolhidos na rede assistencial municipal e 12.651 vivem em situação de rua.

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