MA: vice-governador acusa MP de uso político, e governador, de perseguição
O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão, diz ser alvo de uma “campanha jurídico-midiática” pelo governo do estado
atualizado
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O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), afirmou ser alvo de uma “campanha jurídico-midiática” pelo governo do estado, a partir do momento em que o governador, Carlos Brandão (sem partido), dá andamento ao projeto de sucessão do cargo, aproveitando o “poder familiar”.
A fala se dá após o Ministério Público do Maranhão pedir o afastamento cautelar de Camarão, no âmbito de investigação que apura movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada e o uso de terceiros para circulação de recursos, como mostrou o Metrópoles, na coluna de Paulo Cappelli.
Segundo o procurador-geral de Justiça Danilo José de Castro Ferreira, a medida busca evitar interferências na investigação, diante do risco de acesso a provas e influência sobre testemunhas. O documento afirma que a permanência no cargo pode comprometer diligências em curso.
“Tomei conhecimento exclusivamente pela mídia sobre acusações movidas pelo chefe do Ministério Público do Estado do Maranhão contra mim. Trata-se de uma peça criada para beneficiar as intenções eleitorais do senhor governador Carlos Brandão, que, de forma irresponsável, manipula as instituições do estado do Maranhão para atingir seus adversários”, alega Camarão, em nota.
O Metrópoles procurou o governo do Maranhão, que afirmou que tomou conhecimento, “com preocupação”, do pedido de afastamento de Camarão “através da mídia”.
“Ressalta-se que tal medida é conduzida exclusivamente pelo Ministério Público do Estado do Maranhão, órgão dotado de independência funcional e autonomia em relação ao Poder Executivo Estadual”, detalha a nota.
“O governador do estado não tem qualquer ingerência, domínio ou participação nas investigações conduzidas pelo Ministério Público ou pelos referidos órgãos de controle. Sendo assim, o governo do estado repudia de forma veemente qualquer tentativa de politização do caso ou ilações infundadas”, complementa o governo maranhense.
A manifestação de Camarão foi apresentada como reação à atuação do Ministério Público estadual.
Relatório do MP
Dados reunidos pelo Ministério Público indicam que Felipe Camarão recebeu R$ 1,72 milhão em créditos salariais no período analisado, além de R$ 4,64 milhões em créditos de outras origens. Também foram registrados 230 depósitos sem identificação de origem e R$ 360 mil em valores fracionados.
“O fluxo financeiro expressivo, com ingressos que extrapolam a renda formalmente identificada, projeta dúvida quanto à origem dos valores”, afirma o documento.
O relatório indica que a conta principal do vice-governador registrou mais de R$ 6,3 milhões em saídas financeiras, abrangendo despesas com cartão de crédito, gastos imobiliários e repasses a terceiros.
O documento também aponta a identificação de 1.085 beneficiários em transferências realizadas via Pix.
Prova ilegal
O vice-governador nega qualquer irregularidade, afirma que os recursos citados têm origem lícita e que foram devidamente declarados, inclusive à Receita Federal.
Ele também contesta a procedência das informações e sustenta que a investigação se apoia em elementos que classifica como prova ilegal, sem aprofundamento adequado.
“Ressalto ainda que em nenhum momento fui citado, intimado ou obtive direito a me manifestar neste processo. Tenho a convicção de que, com todas as provas reunidas e seguindo o devido processo legal, toda essa farsa será desmontada perante o Poder Judiciário”, argumenta Camarão.
O vice-governador também apontou o suposto vazamento de informações sob sigilo no âmbito da investigação. De acordo com ele, dados do processo teriam sido divulgados de forma irregular, o que levou à adoção de medidas judiciais.
Camarão afirmou ter acionado o Tribunal de Justiça do Maranhão para apurar eventuais responsabilidades e informou que pretende encaminhar o caso ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
“Por estes motivos, dei entrada, no Tribunal de Justiça do Maranhão, em um pedido de apuração de responsabilidade sobre o vazamento de processo sigiloso e, ainda esta semana, levarei o caso ao Conselho Nacional do Ministério Público para averiguar as responsabilidades da Procuradoria-Geral de Justiça do Maranhão, neste caso que envergonha as nossas instituições”, conclui o vice-governador.
