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Lula não reconheceria minha vitória se fosse o contrário, diz Flávio

Flávio Bolsonaro contestou horário de votação no segundo turno e voltou a questionar resultado após derrota para o presidente Lula

26/10/2026 17:21, atualizado 26/10/2026 17:27
Wagner Meier/Getty Images
2 turno - Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo Partido Liberal, vota em uma escola no bairro de Vila Isabel, na zona norte do Rio, durante o dia de eleições gerais em 25 de outubro de 2026, no Rio de Janeiro, Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, afirmou, nesta segunda-feira (26/10), que o petista não reconheceria uma eventual vitória dele caso a situação fosse inversa.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a questionar a votação e alegou que uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o horário de encerramento das eleições precisa ser esclarecida.

“Agora, imaginem se fosse o contrário: um ministro indicado por Bolsonaro tomando uma decisão que mudasse as regras do jogo quando a disputa já estivesse encerrada. Qual seria a reação do PT? Qual seria a reação de parte da imprensa? Qual seria a reação do mundo? Lula reconheceria a minha vitória? Com certeza, não”, declarou.

Flávio se referiu à decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que autorizou a extensão do horário de votação até as 19h em todo o país. O encerramento estava previsto para as 17h. O senador questionou o impacto da medida sobre o resultado eleitoral, mas não apresentou provas de que a mudança tenha alterado o desfecho da disputa.

“O que aconteceu neste domingo de eleição não foi normal. Todo mundo viu. Pela primeira vez na história do Brasil, um ministro do STF, no caso um ex-advogado de Lula, provocado pelo próprio PT, atropelou o TSE e tomou uma decisão que prorrogou as eleições até as 19h. O que aconteceu nesse intervalo de tempo, ninguém consegue entender. Isso precisa ser esclarecido. Ninguém sabe exatamente qual foi o impacto dessa decisão”, afirmou.

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Antes de ser eleito presidente pela primeira vez, em 2002, Lula perdeu três eleições seguidas (em 1989, 1994 e 1998) e sempre reconheceu a derrota. 

A declaração ocorre um dia depois de Flávio anunciar que não reconheceria o resultado da eleição e que acionaria a Justiça para pedir a anulação do pleito. A posição contraria uma promessa feita pelo próprio senador durante a campanha.

Em 16 de outubro, durante uma sabatina da TV Globo, Flávio havia afirmado que respeitaria o resultado, independentemente de quem vencesse. “Vou disputar as eleições com as regras que estão aí. Independentemente de qual for o resultado, vou respeitar”, declarou na ocasião.

Pedido de anulação

Após a confirmação da vitória de Lula no domingo (25/10), Flávio afirmou que considerava “impossível” reconhecer o resultado nas condições em que a votação ocorreu. O senador anunciou que recorreria à Justiça para tentar anular a eleição, tendo como argumento a decisão de Zanin sobre o horário de votação.

A própria campanha do candidato do PL, porém, havia solicitado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que eleitores de municípios de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul tivessem duas horas adicionais para votar. O horário pretendido era o mesmo autorizado pelo ministro do STF: até as 19h.

Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. O resultado representou uma virada em relação ao primeiro turno, quando o senador havia terminado na liderança, com 47,03%, enquanto o petista obteve 45,16%.

Flávio diz ter sido intimidado pela PF

No mesmo vídeo publicado nesta segunda-feira, Flávio também afirmou ter sido intimidado pela Polícia Federal (PF) ao deixar a residência do pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em um condomínio no Jardim Botânico, no Distrito Federal.

Segundo o senador, agentes o intimaram a entregar os passaportes e o informaram sobre uma proibição de deixar o país. Flávio atribuiu a medida a uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e disse que a decisão teria relação com declarações do irmão, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro.

“Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar”, afirmou o senador, que também declarou nunca ter pensado em deixar o Brasil.