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Brasil

Lula não descarta ir à Colômbia para Cúpula da Celac antes da COP30

Presidente Lula defendeu que Cúpula Celac-União Europeia só "tem sentido" se abordar a ofensiva militar dos EUA na América Latina

04/11/2025 20:03, atualizado 04/11/2025 21:15
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Andrew Harnik/Getty Images
Presidente dos EUA, Donald Trump, se reúne bilateralmente com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, no Centro de Convenções de Kuala Lumpur Malásia Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou, nesta terça-feira (4/11), que pode viajar à Colômbia nos próximos dias para participar da 4ª Cúpula Celac-União Europeia. O encontro está previsto para domingo (9/11) e segunda-feira (10/11), na cidade colombiana de Santa Marta. A agenda, porém, coincide com a da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), cuja abertura oficial está marcada para segunda.

A informação foi dada durante entrevista para jornalistas estrangeiros em Belém (PA). Segundo auxiliares, existe a possibilidade de que o chefe do Executivo compareça ao evento, mas não há confirmação.

O presidente afirmou que a cúpula deve discutir a mobilização militar dos Estados Unidos perto da Venezuela, e que teve a oportunidade de dizer ao presidente Donald Trump, durante reunião na Malásia em 26 de outubro, que a América Latina é uma “zona de paz”.

“Só tem sentido a reunião da Celac nesse momento se a gente for discutir essa questão dos navios de guerra americanos aqui nos mares da América Latina. Eu tive a oportunidade de conversar com o presidente Trump sobre esse assunto, dizendo para ele que a América Latina é uma zona de paz. Aqui não proliferou armas nucleares. No caso do Brasil, é constitucional. […] Não precisamos de guerra aqui”, declarou.

Segundo Lula, o envolvimento de forças armadas dos EUA na região “não é necessária”. “A polícia tem todo o direito de fazer o combate ao narcotráfico. Tem todo o direito e responsabilidade de fazer, e os americanos poderiam estar tentando ajudar esses países, não tentando ficar atirando contra esses países”, afirmou.

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“Um problema político a gente não resolve com armas, resolve com diálogo. Eu me coloquei à disposição. Nós temos todo o interesse em ajudar. Nós não queremos conflito na América do Sul”, completou o titular do Planalto.

Mesmo com a incerteza na agenda, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, publicou no X que o líder brasileiro estará na cúpula com União Europeia.

“Agradeço ao presidente Lula, que neste momento tão difícil para a América Latina e o Caribe, decidiu que devemos nos encontrar em Santa Marta com a Europa. Chegou a hora da união. Obrigado. Nos encontraremos na COP30 para lutar por uma economia que nos afaste do colapso climático”, agradeceu Petro.

Inicialmente, a cúpula esperava os líderes dos 27 Estados-Membros da União Europeia (UE) e dos 33 países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), mas o evento ameaça esvaziamentos depois da desistência de nomes como o da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e do presidente da França, Emmanuel Macron.

EUA X América Latina

De acordo com agências internacionais, as ausências refletem preocupações em relação às recentes atitudes de Trump contra a Colômbia e a Venezuela.

Desde agosto, os EUA realizam ofensivas navais e aéreas contra embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico, sob a justificativa de combater o narcotráfico. As ações já resultaram em pelo menos 61 mortos.

A escalada de tensões entre os dois países ocorre após o envio de navios de guerra, um submarino nuclear e caças norte-americanos para a costa venezuelana, sob o mesmo pretexto de combater o tráfico de entorpecentes. A imprensa internacional chegou a revelar que o republicano autorizou a CIA a realizar “ações letais” na Venezuela para enfraquecer o regime chavista.

Em resposta, o governo de Nicolás Maduro acusa Trump de orquestrar uma “guerra multifacetada” para provocar uma “mudança de regime” e instalar um governo aliado.

Em relação à Colômbia, os atritos entre EUA e Colômbia se intensificaram no fim de outubro, quando o presidente Gustavo Petro, o filho Nicolas Petro, a primeira-dama Verônica del Socorro e o ministro do Interior colombiano Armando Benedetti foram incluídos na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão vinculado ao Tesouro dos EUA.

A sanção significa o impedimento de transações financeiras com cidadãos e empresas norte-americanas. Segundo o governo norte-americano, Petro tem envolvimento em atividades relacionadas ao tráfico internacional de drogas.