
Lula mobiliza movimentos sociais para campanha de rua e mira indecisos
Movimentos sociais vão às ruas para dialogar com a população sobre propostas e aproximar a campanha de públicos prioritários

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou os movimentos sociais no centro da campanha de rua e das redes sociais para impulsionar sua tentativa de reeleição ao Palácio do Planalto. O petista defende que essas organizações “deem o tom” do trabalho nos estados, com o objetivo de manter a militância engajada e buscar o voto dos indecisos.
Nesse sentido, movimentos populares se organizam em dezenas de cidades com métodos criativos para conversar com a população sobre as propostas da candidatura. Em julho, entidades lançaram as Brigadas de Agitação e Propaganda com o propósito de reforçar a campanha de Lula.
A iniciativa reúne organizações como a Central de Movimentos Populares (CMP), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), União dos Movimentos de Moradia (UMM) e a Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Entre as atividades do grupo, está o projeto “Sextou com Lula”, que leva militantes a locais com grande circulação de pessoas para dialogar com a população. A estratégia ocorre em diversas capitais brasileiras, aliando performances culturais e discussões sobre temas atuais, como o fim da escala 6×1.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA coordenadora nacional da CMP, Miriam Hermogenes, explica que a inspiração para o movimento veio dos tradicionais “happy hours”, que estão presentes na vida do trabalhador brasileiro.
“[A ideia é] pegar um final de tarde de sexta-feira, em alguns locais de grande circulação, onde a gente sabe que a maioria da galera conhece […] então, a gente junta para fazer uma atividade bacana de música, de jingles, de bandeiras. E se tiver algum material, a gente faz a panfletagem, a gente conversa. Mas é mais nesse sentido alegre, festivo, de uma campanha, para cima”, detalha.
A primeira edição do “Sextou” aconteceu no última sexta-feira (21/8), em 60 cidades brasileiras, incluindo 24 capitais. A coordenadora avalia que propostas como essa ajudam a aproximar a campanha de públicos considerados prioritários, a exemplo dos jovens. Hermogenes também considera que, entre os presidenciáveis, a candidatura de Lula é a que mais tem condições de se articular com os movimentos populares.
“A gente percebe que a candidatura do Lula — acho que até mesmo pelas características, de quem que é o Lula, de todo o histórico que ele tem — é onde tem a maior capilaridade de organizar os movimentos sociais, pelo menos movimentos de grande peso na sociedade”, observa.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasParcela de indecisos
- A nova rodada da pesquisa Datafolha, divulgada na última sexta-feira (21/8), aponta que, no levantamento espontâneo, quando o entrevistador não apresenta uma lista de candidatos, 32% dos eleitores ainda estão indecisos sobre em quem votar no primeiro turno da eleição para presidente da República.
- Entre os indecisos, as mulheres se destacam: 40% afirmaram ainda não saber em quem votar, ante 22% dos homens.
- Nessa modalidade de pesquisa, Lula é citado por 32% dos entrevistados, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 19%. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso e inelegível, é mencionado por 3%. Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) têm 2% cada, enquanto Romeu Zema (Novo) e Pablo Marçal (PRTB) aparecem com 1% cada. Outros nomes somam menos de 1%.
- Já na pesquisa estimulada, em que os nomes dos presidenciáveis são apresentados aos entrevistados, a parcela de indecisos cai para 4%.
Articulação
Segundo a secretária nacional de Movimentos Populares do PT e integrante da campanha de Lula, Lucinha do MST, o presidente considera a participação desses grupos como fundamental para a reeleição.
Já na pré-campanha, o petista reuniu representantes de entidades para debater a conjuntura política. Deste então, setores da sociedade, sob coordenação da secretaria, vêm se reunindo em plenárias para construir sugestões para um eventual quarto mandato e alinhar ações de campanha.
A dirigente ressalta que é junto a esses movimentos que “a verdadeira campanha acontece”. A estratégia, segundo ela, busca manter a militância “já convertida” e buscar o apoio dos indecisos.
“Ele [Lula] fala muito: ‘temos que fazer uma disputa de narrativa na sociedade, mas temos que organizar território'”, pontua Lucinha. “Voltar de fato àquele trabalho de base militante que a gente tem que ter, de manter os nossos e de converter novos que estão ainda em dúvida”, ressalta.
Além do trabalho nas ruas, outra frente de atuação da militância se dá no ambiente digital. O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou instrumentos como o Pode Espalhar, plataforma criada para distribuir material prontos para a campanha.
Outra iniciativa é o Porta-Voz, que reúne uma gama de influenciadores e demais apoiadores nas redes sociais, com o objetivo de ampliar a divulgação das ações do governo.
“[A partir dessas plataformas] a gente está aí reproduzindo o que é o nosso governo, o que o presidente Lula está fazendo e, sobretudo, fazendo a defesa e convencendo as pessoas de que a gente precisa reeleger o presidente Lula para um quarto mandato”, frisa a secretária.











