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Eleições 2026Brasil

Lula e Flávio buscam atrair eleitores que se abstiveram no 1º turno

Com 33,4 milhões de ausentes no 1º turno, Lula e Flávio buscam ampliar a mobilização; 78% dos faltosos tendem a não votar novamente

11/10/2026 04:30
Arte/Metrópoles
Lula e Flávio Bolsonaro

A mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno se tornou um dos desafios para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.

Com 33,4 milhões de ausentes na votação de 4 de outubro, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto, os candidatos precisam ampliar a participação para tentar conquistar votos na reta final da campanha.

O desafio, no entanto, vai além de convencer os eleitores a sair de casa. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 8 de outubro mostra que 40% dos entrevistados que se abstiveram no primeiro turno afirmam que certamente não irão às urnas em 25 de outubro.

Outros 38% dizem que provavelmente também não votarão. Apenas 22% consideram a possibilidade de comparecer, somando os que afirmam que talvez, provavelmente ou certamente irão votar.

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O levantamento ouviu 1,6 mil pessoas entre 6 e 7 de outubro, com margem de erro de três pontos percentuais. O resultado indica a dificuldade de mobilizar esse contingente em uma disputa na qual Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.


Os estados com maior taxa de abstenção

  • Mato Grosso do Sul: 23,87%
  • Rio de Janeiro: 23,32%
  • Minas Gerais: 22,81%
  • São Paulo: 22,54%
  • Mato Grosso: 22,20%
  • Goiás: 21,83%
  • Rondônia: 21,71%
  • Espírito Santo: 21,37%
  • Rio Grande do Sul: 21,35%

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Luiz Inácio Lula da Silva  (PT)
Flávio Bolsonaro (PL)
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT)
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Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT)

Arte Metrópoles/Otávio Augusto
Luiz Inácio Lula da Silva  (PT)
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Flávio Bolsonaro (PL)
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Flávio Bolsonaro (PL)

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Lula busca ampliar mobilização

Para Lula, a redução da abstenção é a principal frente de atuação na tentativa de reverter a vantagem obtida pelo adversário. A campanha petista busca ampliar o alcance da comunicação, reforçar a presença nas ruas e mobilizar lideranças políticas e apoiadores para atrair eleitores além de sua base tradicional.

O Nordeste, onde Lula obteve vantagem expressiva no primeiro turno, permanece estratégico para o presidente. A região, porém, já registrou uma taxa de abstenção menor do que outras partes do país, o que torna necessário combinar a mobilização dos faltosos com a preservação dos votos conquistados e a busca por novos eleitores em outros colégios eleitorais.

A campanha também enfrenta o desafio de convencer eleitores que não compareceram por desinteresse ou insatisfação com as opções disponíveis. Nesse cenário, a comunicação sobre propostas e as tentativas de ampliar o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado podem ter papel importante na estratégia petista.

Nessa sexta (9/10), o senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da coordenação da campanha, afirmou que Lula vai priorizar agendas no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais — os três maiores colégios eleitorais do Brasil, e que registraram taxa de abstenção acima da média da eleição.

Flávio precisa preservar vantagem

Do outro lado, Flávio tem o desafio de manter a dianteira conquistada no primeiro turno e ampliar sua votação até 25 de outubro. Para isso, a campanha precisa preservar a mobilização de sua base e buscar novos votos, inclusive entre eleitores que não participaram da primeira votação.

O senador tem enfatizado temas como custo de vida, endividamento das famílias e segurança pública. A atuação de aliados políticos, lideranças regionais e apoiadores nas redes sociais também integra o ambiente de mobilização em torno de sua candidatura. Não há, contudo, confirmação pública de uma operação específica da campanha voltada exclusivamente aos eleitores ausentes.

A abstenção não representa um bloco homogêneo de eleitores. Entre os faltosos, há pessoas que enfrentaram dificuldades para votar, eleitores desmotivados e cidadãos que não se identificam com nenhuma das candidaturas. Por isso, o aumento do comparecimento não garante, por si só, vantagem a Lula ou a Flávio.

2° turno terá desafio de mobilização

A pesquisa Real Time Big Data reforça que parte expressiva dos eleitores que faltaram no primeiro turno não demonstra disposição de participar da votação decisiva. Somados, os que afirmam que certamente ou provavelmente não irão às urnas representam 78% dos entrevistados que se abstiveram na primeira etapa.

O eleitor que não votou no primeiro turno pode comparecer normalmente ao segundo, desde que esteja apto a votar. Cada turno é considerado uma votação independente para fins de comparecimento, e a ausência na primeira etapa não impede a participação na segunda.

Com a votação marcada para 25 de outubro, Lula e Flávio terão de conciliar duas frentes: manter os eleitores já mobilizados e convencer uma parcela dos ausentes a participar da decisão. O impacto dessa estratégia dependerá tanto da capacidade de cada campanha de alcançar esse público quanto das preferências políticas dos eleitores que efetivamente comparecerem às urnas.