Lula e Centrão disputam influência na sucessão do governo da Paraíba
Com João Azevêdo rumo ao Senado, PP ganha protagonismo e negociações seguem abertas para as eleições
atualizado
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A sucessão ao governo da Paraíba entrou em fase decisiva após a confirmação de que o governador João Azevêdo (PSB) deixará o cargo em 2 de abril para disputar uma vaga no Senado. A movimentação, que tem respaldo de lideranças do PSD e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), abriu espaço para uma disputa marcada por negociações de bastidores e alianças nacionais.
No centro das articulações está o vice-governador Lucas Ribeiro (PP), apontado como principal favorito para assumir o governo e disputar a reeleição. A escolha, no entanto, gera desconforto dentro da base governista, já que o PP rompeu com o governo Lula e se posiciona hoje como um dos principais partidos do Centrão.
Lucas Ribeiro reúne capital político expressivo. Filho da senadora Daniella Ribeiro e sobrinho do deputado federal Aguinaldo Ribeiro, o vice-governador também é aliado do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, um dos principais expoentes do Centrão. Esse conjunto de apoios tem sido decisivo para o avanço das negociações.
As tratativas caminharam ao ponto de praticamente consolidar uma chapa majoritária com aval de lideranças nacionais. O desenho teria contado com interlocução direta do presidente Lula e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o que reforça o peso das negociações de cúpula no processo sucessório estadual.
Pelo arranjo em discussão, Lucas Ribeiro seria o candidato ao governo, enquanto a disputa ao Senado teria João Azevêdo e o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (PP), pai de Hugo Motta. O formato busca manter a unidade do grupo e ampliar alianças, mesmo que isso implique conciliar interesses de campos políticos distintos.
O cenário da sucessão do governo e do Senado na Paraíba
- João Azevêdo deixará o governo em abril para disputar o Senado, abrindo a sucessão e revelando um arranjo pragmático, com apoio do PSD e de Geraldo Alckmin.
- O vice Lucas Ribeiro (PP) desponta como favorito ao governo, sustentado por forte capital familiar e alianças com o Centrão, apesar das contradições partidárias.
- Negociações de cúpula envolvem Lula e Hugo Motta e desenham chapa com Lucas ao governo e João Azevêdo e Nabor Wanderley ao Senado, ampliando alianças diversas.
- O cenário segue fragmentado: há disputas internas no governismo, avanço da direita com Marcelo Queiroga e uma corrida ao Senado marcada por competição intensa e acordos de bastidores.
Apesar do avanço desse bloco, o cenário segue longe de um consenso. O campo governista sofreu um abalo com a saída do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, do PP para o MDB, após ele anunciar pré-candidatura ao governo estadual. A mudança aprofundou disputas internas e expôs a fragilidade das alianças locais.
A disputa pelo Senado também promete ser uma das mais concorridas. Além de João Azevêdo, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) tentará a reeleição. Já Daniella Ribeiro decidiu não disputar um novo mandato para concentrar esforços na candidatura do filho ao governo.
O quadro que se forma, até o momento, é o de uma sucessão fortemente influenciada por vínculos familiares, lideranças partidárias e acordos de bastidores, enquanto o debate programático permanece em segundo plano. A eleição de 2026 na Paraíba tende a ser definida menos por projetos de governo e mais pela habilidade de articular alianças em um cenário político fragmentado e, não raro, contraditório.







