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Lula costura para acomodar aliados nos 16 ministérios restantes

Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encontra dificuldade para acomodar forças políticas que o apoiaram na eleição

Raphael Veleda27/12/2022 02:00, atualizado 27/12/2022 07:23
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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Lula costura para acomodar aliados nos 16 ministérios restantes

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já anunciou o nome dos titulares da maioria (21) dos 37 ministérios de seu governo, mas os 16 que faltam estão sendo os mais difíceis de distribuir. A costura política para completar o quebra-cabeças da Esplanada faz do petista o presidente eleito que mais está demorando a fechar sua equipe — uma espera maior do que a de seu primeiro governo, quando o primeiro escalão terminou de ser anunciado na antevéspera de Natal.

O desafio de Lula é acomodar em cargos importantes os partidos e forças políticas que o apoiaram na eleição deste ano. Além das siglas que fizeram parte da coligação encabeçada pelo PT, somam-se a essa equação os apoios que entraram na “frente ampla” do segundo turno e mesmo partidos que não apoiaram o petista em outubro, mas podem ser importantes para a formação de uma base de apoio no Congresso para o ano que vem, como União Brasil e até mesmo o “lavajatista” Podemos.

O símbolo maior dessa dificuldade de escalação do time é a senadora Simone Tebet (MDB-MS), que ficou em terceiro lugar na eleição presidencial e depois se dedicou fortemente à campanha lulista para vencer Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno. Reconhecendo a importância dela na campanha, Lula já afirmou algumas vezes que pretende tê-la na equipe ministerial, mas não está conseguindo um lugar que agrade a senadora e seja bem digerido pelo resto da coligação – incluindo nessa cálculo setores do próprio PT, que temem “vitaminar” muito uma personalidade política com ambições presidenciais em 2026.

Após ter perdido a disputa com o PT pelo Ministério do Desenvolvimento Social, que ficou com o senador eleito Wellington Dias (PT-PI), Tebet já recusou (inicialmente) o Planejamento e foi cotada para o Meio Ambiente (que deve ficar com a deputada eleita Marina Silva).

O martelo pode ser batido nesta terça-feira (27/12), quando a senadora sul-mato-grossense deverá se reunir mais uma vez com Lula – que insiste em oferecer o Planejamento. O presidente eleito pretendia, aliás, anunciar o resto da equipe ministerial toda nesta terça, mas a demora e a dificuldade para fechar a negociação devem jogar o anúncio para quarta (28/12).

Os cotados

A maneira de Lula de fazer política é uma das razões para a demora. Ao invés de apontar ele mesmo os nomes, o presidente eleito prefere que os partidos, grupos e movimentos sociais entrem em consenso sobre quem querem indicar, mas as disputas internas acabam engessando o processo.

As disputam ocorrem nos mais diversos ministérios, mesmo os que não são almejados por partidos. Para o Ministério dos Povos Indígenas, por exemplo, não há consenso entre a deputada federal não-reeleita Joenia Wapichana (Rede-RR) e a deputada federal eleita Sonia Guajajara (PSol-SP), que é coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), entidade que ajudou a desenhar a estrutura do novo ministério prometido por Lula desde a campanha.

A indefinição maior, porém, está em ministérios considerados “o filé” por terem grandes orçamentos ou visibilidade, garantindo a seus ocupantes fazer entregas pelos país e aparecer sempre na mídia. É o caso de pastas como Agricultura, Transportes, Minas e Energia, Planejamento e Cidades. Elas devem ficar com políticos de grandes partidos do Centrão, como PSD, União Brasil e MDB, mas o nome dos escolhidos ainda não estava definido quando esta reportagem foi escrita, na segunda-feira.

Nome indicado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), como “contrapartida” pelo trabalho na aprovação da PEC da Transição, o líder do União Brasil na Câmara, Elmar Nascimento (BA), é cotado para o disputado Ministério da Integração Nacional.

Pela cota do PSD, o senador Carlos Fávaro (MT) é muito cotado para ser ministro da Agricultura e o senador Alexandre Silveira (MG) para assumir a pasta de Minas e Energia.

O espaço do PT na Esplanada também deverá ser ampliado e o deputado federal reeleito Paulo Teixeira (SP) deverá comandar as Comunicações. Outro Paulo, o Pimenta (RS), deverá chefiar a Secretaria de Comunicação (Secom).

O que também parece definido é que o general da reserva Marco Edson Gonçalves Dias, o G Dias, vai assumir o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Certeza mesmo, porém, só quando Lula convocar a imprensa e terminar a escalação de seu time.

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Veja os ministérios ainda sem indicações definitivas:

  • Ministério dos Povos Indígenas
  • Ministério da Previdência Social
  • Ministério do Esporte
  • Ministério das Cidades
  • Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional
  • Ministério do Meio Ambiente
  • Ministério dos Transportes
  • Ministério de Minas e Energia
  • Ministério das Comunicações
  • Ministério do Turismo
  • Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
  • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
  • Ministério da Pesca e Aquicultura
  • Secretaria de Comunicação Social
  • Gabinete de Segurança Institucional
  • Ministério do Planejamento e Orçamento

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