A empresária Luiza Helena Trajano, de 67 anos, fundadora do Magazine Luiza e considerada uma das 60 personalidades mais poderosas do país, esteve em Brasília para se reunir com integrantes do grupo Mulheres do Brasil –  projeto criado por ela –, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB). O encontro ocorreu nessa terça-feira (12/3). Em entrevista ao Metrópoles, a executiva falou sobre as conquistas das mulheres, política e economia.

Luiza Trajano parabenizou todas as mulheres pela passagem do 8 de março e disse que a conquista por mais espaços de protagonismo pelas brasileiras está cada vez maior. “Chegou o nosso tempo. Nada melhor do que quando uma coisa chega no seu tempo. Mulher hoje decide o carro, o computador que vai comprar. A gente não quer ser contra os homens, pelo contrário, mas a gente luta pra ter nosso espaço”, afirmou a empresária.

Em tom ameno, a fundadora do Maganize Luiza também analisou o cenário político nacional. Afirmou que não se preocupa com quem está no poder e, sim, com os resultados obtidos durante a gestão. “É uma mudança. Não importa quem está no poder. O importante é que nós precisamos fazer o Brasil dar certo”, pontuou.

Questionada sobre a participação das mulheres na política, a empresária descartou que haja falta de representatividade feminina. “Existe uma crença que limitou as mulheres a participarem da política, mas isso mudou. Agora começou a despertar o interesse [das mulheres]. Eu sou totalmente a favor de cotas para mulheres na política. É um processo para acertar uma desigualdade”, comentou. Contudo, ela considera que o país ainda está muito dividido em relação à política.

O protagonismo feminino e o masculino precisam fazer uma transformação para largar essa briga entre esquerda e direita, essas raivas nas redes sociais, e pensar na construção do Brasil que nós merecemos"
Luiza Trajano, empresária, fundadora do Magazine Luiza

Economia
Sobre a economia atual, a presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza afirmou que o mercado mudou e está tendo uma nova reação. “Sem aprovar reformas, é difícil entrar o dinheiro que o Brasil precisa”, pontuou. Ela defendeu partes da reforma da Previdência, mas disse que alguns pontos devem ser revistos.

“Eu não vi todo o projeto, mas espero que o Congresso acerte o que precisa. Concordo que a idade de aposentar tem que ser mais velha. Eu não gostaria de me aposentar com a idade que tinha porque acho que você tem muita vitalidade ainda”, disse, em referência à idade mínima proposta pelo governo Bolsonaro de 60 anos para mulheres.

“Temos esperanças que aprovem as medidas que têm que ser aprovadas para que o Brasil deixe de ter 13 milhões de desempregados, que é uma coisa muito triste. Eu costumo dizer que, depois da saúde, o emprego é a coisa mais importante que a gente tem”, avaliou Luiza.

Mulheres do Brasil
Criadora do grupo Mulheres do Brasil, a executiva contou que o projeto começou há cinco anos, com o objetivo discutir e propor ações ligadas à educação, ao empreendedorismo, a projetos sociais e a cotas para mulheres. O grupo é apartidário, mas, segundo ela, tem muito projeto pra ajudar no crescimento do país. “Não adianta só torcer ou criticar, a gente tem que ser protagonista”, defendeu.

“No início, foram 40 mulheres que vieram pra Brasília falar sobre economia no governo. Depois a gente viu que não era para ficar só com empresárias, aí abrimos o grupo para qualquer profissão, donas de casa, vários níveis sociais. Hoje, são mais de 24 mil mulheres”, contou Luiza, com orgulho de ver a expansão de mais um de seus projetos.