Liquidação do Master completa 4 meses com raízes espalhadas pela República

Vazamentos de investigação indicam ramificações com parte das figuras dos Três Poderes. Escândalo já deu fim a nove instituições financeiras

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida de sede do Banco Master - Foto: Michael Melo/Metrópoles

A liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC) completa o quarto mês de aniversário nesta quarta-feira (18/3). A determinação da autoridade monetária em relação à instituição financeira foi tomada em 18 de novembro de 2025. Desde então, uma crise com raízes em várias esferas da República se instalou e incomoda integrantes dos Três Poderes.

A liquidação do Banco Master foi determinada em 18 de novembro de 2025. A empresa foi apontada como integrante de um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional, entre elas o Banco de Brasília (BRB).

Desde então, outras oito instituições financeiras pertencentes ou com alguma ligação com o Master passaram pelo mesmo processo determinado pelo Banco Central.


Confira a lista das liquidações:

  • Banco Master S.A. – 18/11/2025.
  • Banco Master de Investimento S.A. – 18/11/2025.
  • Banco Letsbank S.A. – 18/11/2025.
  • Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários – 18/11/2025.
  • Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.) – 15/1/2026.
  • Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento – 21/1/2026.
  • Banco Pleno S.A. – 18/2/2026.
  • Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. – 18/2/2026.
  • Banco Master Múltiplo — 17/3/2026.

Temor generalizado

Há uma preocupação no ar em relação a uma possível delação do fundador do banco, Daniel Vorcaro. O banqueiro encontra-se preso na desde a última fase da Operação Compliance Zero, no início de março. Atualmente ele se encontra na Penitenciária Federal de Brasília.

Vorcaro trocou de advogados na semana passada. A movimentação gerou uma preocupação generalizada. O temor faz sentido: na relação de contatos do banqueiro estão nomes de todas as esferas de poder e de diferentes espectros políticos (da direita à esquerda, passando pelo centro).

A liquidação de 18 de novembro foi apenas o início de uma série de revelações que se sucederam e trouxeram à tona indícios do envolvimento do dono do Master com autoridades dos Três Poderes.

Os casos que estão mais em evidência são supostas ligações com integrantes do Poder Judiciário, no caso os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Os indícios da relação entre Toffoli e o banqueiro seriam mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro — trocadas com o ministro do STF, viagem em jatinho com advogado do banco e sociedade em um resort. Em 12 de fevereiro deste ano, Toffoli negou possuir qualquer “relação de amizade e muito menos amizade íntima” com o dono do Banco Master.

Em relação a Moraes, mensagens de visualização única que teriam sido enviadas pelo ministro no dia 17 de novembro de 2025 para Vorcaro seriam um dos pontos de ligação entre ambos. O ministro nega.

“A mensagem e o respectivo contato estão na mesma pasta do computador de quem fez os prints (Vorcaro). Ou seja, fica demonstrado que as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao ministro Alexandre de Moraes”, diz nota de Moraes do último dia 6/3.

Executivo

A suposta ligação do banqueiro com o Poder Executivo é levantada pela existência de um  contrato entre o escritório de advocacia do ex-ministro Ricardo Lewandowski e o Banco Master ter continuado vigente por quase dois anos depois de ele assumir a pasta da Justiça e Segurança Pública do governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Legislativo

As investigações da Polícia Federal (PF) apontaram vários casos de suposto envolvimento de parlamentares com Vorcaro. Há nomes de vários espectros político ideológicos do Congresso Nacional.

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Hugo Motta, presidente da Câmara, evita indicar se dará andamento a pedidos de CPI sobre o Banco Master e foi citado em mensagens de WhatsApp extraídas do celular de Vorcaro
Daniel Vorcaro
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Ministro Dias Toffoli
Daniel Vorcaro, do Banco Master, teve conversas periciadas pela Polícia Federal
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Daniel Vorcaro, do Banco Master, teve conversas periciadas pela Polícia Federal

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Hugo Motta, presidente da Câmara, evita indicar se dará andamento a pedidos de CPI sobre o Banco Master e foi citado em mensagens de WhatsApp extraídas do celular de Vorcaro
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Hugo Motta, presidente da Câmara, evita indicar se dará andamento a pedidos de CPI sobre o Banco Master e foi citado em mensagens de WhatsApp extraídas do celular de Vorcaro

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Apuração da coluna Paulo Capelli, do Metrópoles, apontou que o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em mensagens obtidas pela Polícia Federal, que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), esteve reunido com ele “até quase 3h da manhã” em 8 de maio de 2025. Motta foi procurado no início da semana, mas preferiu não comentar o teor da reunião.

Conforme revelado pela coluna Andreza Matais do Metrópoles, o Banco Master contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega atendendo a um pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Wagner negou que tenha indicado Mantega para o Master.

Com os vazamentos das investigações envolvendo tantas figuras de papel importante na República, há questionamentos sobre a realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para elucidar todo o caso Master. No entanto, as forças políticas ainda não se alinharam para que isto venha a se materializar, pelo menos por enquanto.

Escalada financeira

Naquele dia 18/11, junto com o Master foram liquidadas outras três instituições do conglomerado: Banco Master de Investimento S.A.; Banco Letsbank S.A. e Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

O ano de 2026 começou com novas liquidações pela autoridade monetária. Em 15 de janeiro, o processo foi aplicado à Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., que respondia pela denominação de CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

A Reag é investigada por supostamente manter fundos que facilitavam a constituição de empresas laranja. Conforme as apurações da Polícia Federal (PF), o Master emprestava recursos a empresas supostamente laranja.

Essas empresas realizavam a aplicação de dinheiro em fundos da Reag em um sistema de retroalimentação. O Banco Central identificou seis fundos da Reag suspeitos, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões.

Ainda em janeiro, no dia 21, foi realizada a liquidação da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, também pertencente ao conglomerado do Banco Master. O motivo foi a capacidade de honrar compromissos.

Até a última terça-feira (17/3), as duas últimas liquidações com ligação com o Master haviam sido realizadas pelo Banco Central em 18 de fevereiro deste ano: do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

Quando o Master foi liquidado, em novembro de 2025, junto com outras três instituições do conglomerado, o Banco Central determinou a aplicação de Regime de Administração Especial Temporária (Raet) no Banco Master Múltiplo. Na terça, houve a convolação (conversão) do Raet em liquidação.

Impacto no FGC

A série de liquidações extrajudiciais iniciada pelo Banco Central em 18 novembro de 2025 já impactou o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em valor perto de R$ 51,8 bilhões.

Por causa do rombo, os bancos que mantêm o FGC tiveram de se comprometer com a reestruturação da instituição, o que implica em antecipação de aportes para recompor o fundo que é um dos pontos de sustentação do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

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