Lindbergh critica “carta criminosa” de Flávio: “Figura patética”
Deputado acusa Flávio de se declarar presidente eleito sem legitimidade e afirma que ele fugiu para os EUA por problemas com a justiça

O deputado federal reeleito Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou, nesta quarta-feira (28/10), a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), na qual ele se autodeclarou, inicialmente, como “presidente eleito do Brasil” e afirmava estar em exílio nos Estados Unidos.
Em vídeo publicado na rede social X, o petista classificou o documento como “criminoso” e chamou o senador de “figura patética”.
“Traição à pátria, atentado contra o Estado democrático de direito, essa carta do Flávio Bolsonaro é criminosa, gente. Eu sei que ele é uma figura patética, uma figura ridícula, que tem que ser desprezada”, declarou Lindbergh.
O deputado criticou o fato de Flávio se apresentar como presidente eleito e afirmou que o senador teria deixado o Brasil por causa de problemas relacionados a denúncias de corrupção. Lindbergh também mencionou o banqueiro Daniel Vorcaro, do Caso Master, e fez acusações contra Flávio e o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), sem apresentar provas durante a declaração.
“Todo mundo sabe, Flávio Bolsonaro, que você fugiu por causa dos seus problemas com corrupção, o dinheiro roubado do Vorcaro. Você e Eduardo Bolsonaro vão viver nos Estados Unidos com o dinheiro roubado do Vorcaro”, afirmou.
O Brasil não é quintal dos Estados Unidos e a nossa democracia não aceita presidente autoproclamado!
Flávio Bolsonaro precisa entender: quem escolhe o presidente do Brasil é o povo brasileiro. Nenhuma carta, nenhum apoio de Trump e nenhuma encenação substituem a soberania popular.
É vergonhoso ver tanto servilismo a uma potência estrangeira. A nossa soberania se respeita!
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) October 28, 2026
Lindbergh também criticou a referência aos Estados Unidos na carta e o agradecimento de Flávio ao presidente norte-americano, Donald Trump. O deputado apontou ainda o uso da expressão “Estados Unidos do Brasil” e a grafia de “Brasil” com a letra “Z” no documento.
“Você agradece ao Trump, quer dizer que você reconhece, teve interferência externa, uma fuga, porque tem uma determinação da Justiça que você não se ausentasse do Brasil. Olha, é vergonhoso, mas é patético”, disse.
Ao final, o petista afirmou que Flávio será desmoralizado internacionalmente e previu uma condenação do senador por corrupção. “Você está comprando uma desmoralização internacional, porque em breve você vai ser condenado por corrupção, teus crimes vão aparecer, e essa farsa vai acabar”, concluiu.

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Ver todasFuga de Flávio aos EUA
Flávio Bolsonaro (PL), a mulher, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas desembarcaram nos Estados Unidos por volta das 10h25 (horário de Brasília) desta quarta. O avião particular em que a família viajava partiu da Argentina, fez uma escala no Equador e seguiu para Miami, onde pousou no Miami-Opa Locka Executive Airport.
A viagem ganhou repercussão depois que o senador havia afirmado que não deixaria o Brasil, em meio a informações sobre uma intimação da Polícia Federal para a entrega de seus passaportes.
Durante a madrugada, o governo argentino confirmou que o senador passou pelo país. Em comunicado, a Direção Nacional de Migrações informou que Flávio cruzou a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones, às 22h50 dessa terça, e deixou o território argentino cerca de 40 minutos depois.
Segundo o órgão, a família apresentou documentos de viagem válidos e não tinha impedimentos legais para entrar na Argentina. Às 23h30, os quatro embarcaram em um voo particular da companhia Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador.
Resultado nas urnas
Flávio saiu derrotado do segundo turno das eleições, com 48,21% dos votos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 51,79%. O resultado do pleito foi reconhecido pela oposição, inclusive pelo Partido Liberal (PL) e pelo candidato a vice na chapa de Flávio, deputado Alfredo Gaspar.
O pleito foi reconhecido, também, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por lideranças da comunidade internacional.
