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Apontado por uma testemunha do caso Marielle Franco como um dos mandantes do assassinato da vereadora do PSol, o ex-PM Orlando Oliveira de Araujo prestou depoimento à polícia durante toda a tarde desta quarta-feira (16/5) no presídio de segurança máxima de Bangu 1, no Rio de Janeiro, onde está preso. Araújo disse aos policiais que é usado como bode expiatório e negou envolvimento com o crime.

“Ele disse que caiu de bucha nessa história, e não ter nada a ver com o assassinato”, afirmou o advogado Paulo Andrade, defensor do ex-policial. Segundo o ex-PM, a testemunha que o acusou de participação no crime é um PM e já trabalhou com ele em serviços de segurança e, por conta do rompimento dessa parceria, teria um motivo pessoal para incriminá-lo.

Investigações do Ministério Público apontam Araujo como líder de milícia em Curicica, na zona oeste do Rio, onde nasceu, foi criado e é conhecido como Orlando de Curicica. Sua defesa nega a informação e o aponta como líder comunitário da região. Araújo está preso acusado de outro homicídio, mas não tem condenação alguma.

Ele estava preso em Bangu 9, mas, na semana passada, foi transferido para o presídio de segurança máxima de Bangu 1, onde cumpre um regime restritivo. Desde então, ele não se alimentou porque teme ser envenenado e está muito debilitado, segundo o advogado. A justiça autorizou a transferência do ex-militar para um dos quatro presídios federais de segurança máxima, para evitar que ele interfira nas investigações do caso Marielle. Sua defesa já impetrou um habeas corpus tentando reverter essa decisão.

Seu advogado pediu ainda à Corregedoria da Polícia Civil carioca o afastamento do delegado Giniton Lages, da Divisão de Homicídios, da investigação. O delegado esteve em Bangu 1 para ouvir Araújo na quinta-feira, mas o ex-PM disse que não quis falar com Lages porque se sentiu ameaçado. O investigador estaria, segundo a defesa, forçando uma confissão de Araújo no caso Marielle.