Líder do governo: ida aos EUA não tem interesse de alimentar conflitos
Jaques Wagner, líder de Lula no Senado, defende atuação institucional após Eduardo Bolsonaro criticar tentativa diplomática do Legislativo
atualizado
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O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse nesta quinta-feira (24/7) que a comitiva de senadores que vai aos Estados Unidos em meio ao tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump não tem interesse em “alimentar conflitos, mas sim proteger a soberania” do Brasil.
Jaques é um dos oito integrantes do Legislativo brasileiro que desembarcam em Washington D.C. para se reunir com congressistas norte-americanos e empresários para estreitar laços diplomáticos. O grupo não irá tratar diretamente com a Casa Branca a respeito das tarifas de Trump.
A comitiva, presidida pelo presidente da Comissão de Assuntos Exteriores, Nelsinho Trad (PSD-MS), “busca soluções para a questão das tarifas que impactam nossas exportações”, segundo Jaques. O senador salienta que “o diálogo respeitoso é o caminho para avançarmos” nas negociações. O grupo ficará nos EUA entre 28 e 30 de julho.
“Não nos interessa alimentar conflitos, mas sim proteger a nossa soberania e os interesses do nosso país. A missão é fortalecer o entendimento e encontrar alternativas que beneficiem nossa economia, respeitando sempre nossa autonomia”, disse ele nas redes sociais.
Eduaro Bolsonaro: comitiva é um desrespeito a Trump
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou a iniciativa do Senado e disse tratar-se de “políticos que visam adiar o enfrentamento dos problemas reais” e que “ignoram o cerne da questão institucional brasileira”.
O filho “03” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está nos EUA desde março e é apontado como um dos principais articuladores por sanções do governo Trump ao Brasil, disse que a ida dos senadores é “um desrespeito” à carta do republicano enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pois ele “foi explícito ao apontar os caminhos que o Brasil deve percorrer internamente para restaurar a normalidade democrática”.
“Buscar interlocução sem que o país tenha feito sequer o gesto mínimo de retomar suas liberdades fundamentais – como garantir liberdade de expressão e cessar perseguições políticas – é vazio de legitimidade. O constrangimento se agrava com a presença de senadores ligados ao partido de Lula, político que sistematicamente adota posturas hostis aos EUA”, disse.
