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Em entrevista coletiva nesta terça-feira (26/9), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, falou pela primeira vez a respeito da Operação Lava Jato e como sua gestão deve se portar frente a questões como delação premiada. “O compromisso do Ministério Público com o combate à corrupção, especialmente a Lava Jato, que tantos benefícios tem trazido, é o meu compromisso”, disse.

A nova chefe do Ministério Público Federal (MPF) disse que o momento ainda é de análise do que já foi feito sob a batuta de seu antecessor, Rodrigo Janot, mas que uma eventual rescisão do acordo de colaboração premiada não invalida as provas produzidas ao longo do processo de investigação.

“Me parece que a lei é clara no sentido de que a rescisão do acordo não invalida a prova produzida no âmbito da delação premiada”, destacou. “Os critérios legais para celebração de acordo são muito claros”, disse.

Questionada pelos jornalistas a respeito de como será a condução dos casos, a procuradora-geral afirmou que está, nesse momento, apenas se inteirando do conteúdo das delações já encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ela, “o momento ainda é de estudo e reflexão a respeito do que faremos”, resumiu.

De acordo com Raquel Dodge, a equipe que está nomeada não teve acesso a nenhum dos documentos que estava tramitando de maneira sigilosa na Procuradoria e no STF. “Minha equipe e eu temos trabalhado mais de 12 horas por dia, nos inteirando desse material. Nossa tarefa tem sido extenuante”, reconheceu.

Denúncia contra Temer
A respeito dos rumos da denúncia contra Michel Temer — elaborada por Janot e questionada no STF pela defesa do presidente –, Raquel Dodge garantiu que dará continuidade ao caso se a Câmara dos Deputados autorizar o processamento. “Darei a ela a continuidade, como mister do meu cargo”, afirmou.

“A denúncia será submetida ao plenário do STF e, se recebida, deverá ter continuidade porque a ação penal pública é indisponível, não pode nenhum procurador voltar atrás”, ponderou.

Rocinha
A coletiva foi realizada após Dodge se reunir com os ministros da Defesa, Raul Jungmann; da Justiça, Torquato Jardim, e o ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, para discutir possíveis medidas que podem contribuir para a redução da violência na Rocinha, no Rio de Janeiro, onde há uma guerra do tráfico em andamento.

Segundo a procuradora-geral, o grupo fez um diagnóstico da situação no Rio de Janeiro e começou a identificar problemas da alçada federal que merecem atenção imediata – as conversas seguirão nos próximos dias e é provável que seja criada uma força-tarefa contra o crime organizado.

“Nosso país é extremamente desigual. Daremos uma atenção equilibrada, de qualidade a esse assunto, assim como tem sido feito com o combate à corrupção”, destacou Raquel Dodge, afirmando que atuará com vigor também contra a lavagem de dinheiro e crimes de colarinho-branco.

 

 

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