No depoimento de cerca de três horas na Justiça Federal do Paraná, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou desconstruir os argumentos do Ministério Público Federal (MPF) de que ele seria o dono, de fato, do sítio localizado em Atibaia, no interior de São Paulo, onde a empreiteira Odebrecht teria feito uma reforma, a título de propina para o ex-presidente.

Para o advogado de Lula, José Roberto Batochio, o ex-presidente conseguiu esclarecer os pontos e atender as estratégias traçadas. “Na minha avaliação o depoimento do ex-presidente foi avassalador, ao ponto de mudar o discurso da acusação, que antes dizia que ele era o real dono do sítio. Agora o acusa de ter se beneficiado das reformas que foram feitas. Ele deixou claro que esta denúncia não passa de uma encenação”, disse Batochio, que acompanhou o depoimento.

Em nota, outro advogado do ex-presidente, Cristiano Zanin Martins, apontou que o depoimento serviu para mostrar a “arbitrariedade da acusação”.

“O ex-presidente Lula rebateu ponto a ponto as infundadas acusações do Ministério Público em seu depoimento, reforçando que durante o seu governo foram tomadas inúmeras providências voltadas ao combate à corrupção e ao controle da gestão pública e que nenhum ato de corrupção ocorrido na Petrobras foi detectado e levado ao seu conhecimento”, disse por meio de nota.

“Embora o Ministério Público Federal tenha distribuído a ação penal à Lava Jato de Curitiba sob a afirmação de que 9 contratos específicos da Petrobras e subsidiárias teriam gerado vantagens indevidas, nenhuma pergunta foi dirigida a Lula pelos procuradores da República presentes à audiência”, argumentou Zanin.

“A situação confirma que a referência a tais contratos da Petrobras na denúncia foi um reprovável pretexto criado pela Lava Jato para submeter Lula a processos arbitrários perante a Justiça Federal de Curitiba. O Supremo Tribunal Federal já definiu que somente os casos em que haja clara e comprovada vinculação com desvios na Petrobras podem ser direcionados à 13ª. Vara Federal de Curitiba (Inq. 4.130/QO)”, destacou.

Para a defesa, Lula apresentou, em seu depoimento, a perplexidade de estar sendo acusado pelo recebimento de reformas do sítio que, segundo advogados, “não têm qualquer vínculo com a Petrobras e que pertence de fato e de direito à família Bittar”.

“O depoimento prestado pelo ex-Presidente Lula também reforçou sua indignação por estar preso sem ter cometido qualquer crime e por estar sofrendo uma perseguição judicial por motivação política materializada em diversas acusações ofensivas e despropositadas para alguém que governou atendendo exclusivamente aos interesses do País”, conclui a nota.