Justiça inocenta delegado de Goiás suspeito de falsificar ocorrências

Após 5 anos de investigações, inquérito contra o delegado foi arquivado. Quebra de sigilos não comprovaram envolvimento no esquema

atualizado

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1 de 1 imagem colorida delegado andre fernandes - Foto: Igo Estrela/Metrópoles

Goiânia – Após cinco anos de investigações, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) arquivou o inquérito contra o delegado da Polícia Civil, André Fernandes de Almeida, de Nerópolis, na região metropolitana da capital goiana. Ele era suspeito de envolvimento em um suposto esquema de falsificação de ocorrências.

O suposto esquema foi alvo de uma operação da Corregedoria da Polícia Civil em dezembro de 2021, quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas dos investigados. As investigações apontaram que boletins de ocorrências de furtos e roubos de cargas eram falsificados para os suspeitos ficarem com o dinheiro de seguros, em Goiás. À época, a operação foi denominada Iscariotes. 


Relembre a investigação

  • O foco da investigação era uma escrivã da Polícia Civil de Goiás, que teria registrado, no mesmo ano, 20 boletins de ocorrência em Aparecida de Goiânia, 21 em Trindade e 32 em Nerópolis.
  • Segundo a própria corporação, em um mês, um único caminhão teria sido roubado várias vezes. À época, chamou a atenção da PCGO, que não havia registro de violência contra motoristas, o que seria comum neste tipo de ocorrência, segundo a polícia.
  • O problema foi identificado por meio de uma auditoria no sistema. A escrivã é investigada ainda por suspeita de ter registrado pelo menos 10 boletins de ocorrência, também de furtos e roubos de cargas em nomes de outras escrivãs.
  • Como o processo está sob sigilo e os nomes dos outros suspeitos não foram divulgados pela Justiça.

Inocentado pela Justiça

Sobre André Fernandes, a juíza Ana Cláudia Veloso Magalhães, do 1º Juízo das Garantias da Comarca de Goiânia, escreveu que “a devassa em seus sigilos bancários e telemáticos não revelou qualquer indício de participação ou ciência dos fatos”.

Segundo a magistrada, a “análise exaustiva do conteúdo extraído dos dois aparelhos telefônicos apreendidos com o delegado [André Fernandes, à época em Trindade] não revelou comunicações, tratativas financeiras, orientações funcionais ilícitas ou qualquer outro elemento objetivo que indicasse participação nos registros fraudulentos ou no eventual recebimento de vantagem indevida”.

De acordo com a defesa do delegado, a investigação foi arquivada em relação a André Fernandes e a outros suspeitos, mas continua para outros 13 envolvidos.

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