Na web, juíza apoia aglomerações; advogado cobra investigação da Justiça

Magistrada Ludmila Lins Grilo afirma ter passado o Réveillon em Búzios (RJ) e compartilha mensagens com a #AglomeraBrasil em perfil pessoal

atualizado 04/01/2021 7:19

juíza defende aglomeraçãoReprodução/Twitter

Uma juíza tem chamado atenção nas redes sociais por defender aglomeração de pessoas na pandemia de Covid-19. Ludmila Lins Grilo, magistrada do Tribunal de Minas Gerais, comarca de Buritis, compartilhou em seu Twitter mensagens com a hashtag #AglomeraBrasil.

Ludmila enviou um vídeo para seus mais de 130 mil seguidores que mostra pessoas caminhando na Rua das Pedras, em Búzios (RJ), sem respeitar o distanciamento social.

“Uma cidade que não se entregou docilmente ao medo, histeria ou depressão. Aqui, a vida continua. Foi maravilhoso passar meu Réveillon nessa vibe”, escreveu ela em mensagem.

No entanto, ela também denuncia o que diz ser “aglomeração de surfistas” em uma praia e cobra ações da Procuradoria Geral da República com a #MPFGiantsBrasil. Só que Ludmila também compartilha críticas à PGR em seu perfil pessoal.

A juíza também se diz contrária à vacinação obrigatória contra Covid-19 no Brasil. “A ideia de que a vacina é segura e pode ser imposta pelo Judiciário não é unânime nem entre os médicos, nem entre os juristas”.

Ela participou recentemente de uma live com a médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi, que defende o uso da hidroxicloroquina – medicamento sem eficácia comprovada contra a Covid-19 – para o tratamento da doença.

Ela se autodenomina, sobretudo, praticante do “Direito sem ideologia e sem inversão de valores” em seu perfil no Instagram.

De perfil cristão e conservador, a juíza Ludmila é admiradora de Olavo de Carvalho, guru de Jair Bolsonaro. “Pessoas que nunca leram seus livros, ao melhor estilo ‘não li e não gostei’, estão tentando calar seus alunos e admiradores para que suas ideias não circulem”, escreveu no aniversário de 73 do autoproclamado filósofo.

Ludmila também aparece em vídeos e lives dos canais conservadores Terça Livre, Senso Incomum e Leda Nagle.

Reações aos posts

O advogado José Belga Assis Trad entrou com pedido de apuração de Ludmila Lins Grilo junto ao Conselho Nacional de Justiça. Trad avalia que os seguidores da juízam podem ser influenciado pelas opiniões dela.

Por isso, ele acredita que as mensagens dela poderiam configurar crime de apologia à infração de medida sanitária preventiva (artigo 268 do Código Penal).

“Ao se manifestar contra as recomendações das autoridades sanitárias, embora não tenha formação e não seja médica sanitarista, o público que tem acesso ao conteúdo das postagens da doutora Ludmila Lins Grilo passa a confundir a opinião, infundada, da magistrada com a da magistratura”.

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