Juiz: “Ao que tudo indica, João de Deus chefia organização criminosa”

Ao determinar prisão preventiva e nova busca, o magistrado Liciomar Fernandes da Silva disse que o bando age em Abadiânia, no Entorno do DF

atualizado 23/12/2018 8:58

Igo Estrela/Metrópoles

Ao acatar pedido de prisão preventiva por posse ilegal de arma e autorizar nova busca e apreensão em endereços de João de Deus, o juiz Liciomar Fernandes da Silva, da Comarca de Abadiânia (GO), alegou suspeitar da existência de uma máfia. “Ao que tudo indica, o médium chefia uma organização criminosa que atua principalmente na cidade”, pontuou. A decisão do magistrado foi expedida no dia 20 de dezembro.

Um dia depois, após cumprimento do mandado, os policiais civis de Goiás encontraram uma mala recheada com R$ 1,2 milhão em uma das casas do acusado em Abadiânia. Também foram recolhidos 770 euros e US$ 908 em um imóvel do médium em Anápolis (GO), bem como um revólver calibre .38, uma algema e centenas de pedras das mais variadas tonalidades. As novas buscas foram autorizadas pela Justiça em três endereços.

A mala estava em um esconderijo dentro de um fundo falso de um guarda-roupa. O acesso é feito por meio de uma escada. No local, havia um cofre, que estava vazio. Também foram apreendidas no mesmo imóvel pedras que parecem esmeraldas.

No dia 18 de dezembro, a Polícia Civil de Goiás encontrou R$ 400 mil, cinco armas, um simulacro e munição em outra casa do médium João de Deus, em Abadiânia. O dinheiro era dividido em notas de euro, dólar, libra, peso e real.

O armamento, por sua vez, estava espalhado em diversos cômodos da residência em Abadiânia. Como resultado da ação, a Justiça acatou, nessa sexta (21), novo pedido de prisão preventiva contra o líder religioso, desta vez por posse ilegal de arma.

João de Deus está preso desde 16 de dezembro, em Aparecida de Goiânia. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de liberdade do médium. Agora, a defesa espera decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, sobre habeas corpus impetrado na última semana.

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“A manutenção da segregação cautelar é necessária para a garantia da ordem pública, em razão da gravidade concreta do crime, em face da grande quantidade de armas e munições que o investigado mantinha em sua posse. Bem como pela conveniência da instrução processual e ainda para a aplicação da lei penal”, disse o juiz Liciomar Fernandes da Silva, sobre a prisão preventiva decretada por posse ilegal de arma.

De acordo com o magistrado, a liberdade de João de Deus “poderá abalar a paz e a tranquilidade no meio social, vez que essa servirá de incentivo para que outros indivíduos venham a praticar crimes de mesma natureza, além de permitir que ele continue a delinquir, o que justifica a restrição da liberdade”.

Nota da defesa de João de Deus
O advogado Alberto Toron, defensor de João de Deus, disse que a decretação da nova prisão preventiva por posse ilegal de arma, “além de desnecessária, pois o investigado já está preso, foi calcada no desejo de calar o clamor público contra a impunidade”.

Toron informou ainda que a nova busca e apreensão nos endereços do médium foi “determinada com base em denúncia anônima e genérica, o que é inadmissível. E mais, não se lavrou auto de apreensão no local como manda a lei. Portanto, a diligência é írrita”.

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