Judicializar uso da polilaminina prejudica pesquisa, diz pesquisadora

Tatiana Sampaio é responsável por avanço no estudo com polilaminina que faz pessoas com graves lesões na medula recuperarem seus movimentos

atualizado

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1 de 1 tatiana-smpaio-2 - Foto: Reprodução TV Cultura

A cientista Tatiana Sampaio, responsável por liderar os estudos com a polilaminina, molécula capaz de restabelecer conexões nervosas no organismo, alertou para os riscos do uso compassivo -ou seja, sem registro e ainda sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os resultados da pesquisa com polilaminina mostram a recuperação dos movimentos (ou parte deles) em pessoas com graves lesões na medula.

Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, nessa segunda-feira (23/2), Tatiana destacou que a judicialização para autorizar o uso compassivo acaba criando barreiras à pesquisa, pois antecipa uma resposta antes mesmo da autorização da Anvisa, que tem concordado com a equipe em emitir um parecer de forma ágil, embora disponha de um prazo maior, de 45 dias.

“Não é nada confortável você participar de toda essa organização porque o que está acontecendo não é exatamente uma aceleração da resposta mesmo antes da Anvisa responder, mas um aumento de pedidos de uso compassivo, que é quando iniciativas regulamentadas e que diz que um médico pode demandar pedidos para usar uma medicação de uso experimental em um caso específico”, explicou a cientista.

Ela afirma que as aplicações da molécula são muito invasivas e necessitam de que sejam feitas por profissionais que já possuam experiência com a aplicação.

O que é polilaminina

A polilaminina é um composto desenvolvido a partir da laminina, uma proteína presente naturalmente no organismo humano e envolvida na organização dos tecidos e no crescimento celular.

A proposta do tratamento é estimular a regeneração das células nervosas lesionadas, o que pode resultar na recuperação parcial ou total dos movimentos em pessoas com trauma raquimedular.

A substância é preparada a partir de proteína extraída da placenta humana e aplicada diretamente na região da medula afetada, geralmente em dose única, seguida de fisioterapia para reabilitação.

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