Jovem que babava passa por cirurgia: “Não serei mais humilhado”

Rapaz de 25 anos não conseguia comer e falar direito devido má formação muscular e esquelética. Dentistas voluntários realizaram cirurgia

Divulgação/Marcelo QuintelaDivulgação/Marcelo Quintela

atualizado 07/11/2019 17:13

Cleiton Bezerra, de 25 anos, teve uma vida marcada por preconceito devido à sua aparência. Morador de Cubatão, na região do litoral sul de São Paulo, o jovem tem uma má formação muscular e esquelética. Por este motivo, nunca conseguiu fechar a boca, falar ou comer direito. Solidarizados pela situação de Cleiton, dentistas voluntários realizaram uma cirurgia para corrigir o problema.

De acordo com informações do portal G1, o jovem disse que passa bem após o procedimento cirúrgico. “Não vou mais ser xingado pelas pessoas, nem humilhado, desprezado, nunca mais. Minha vida era muito difícil. As pessoas ficavam me zoando, me chamando de aberração, de monstro e várias palavras fortes. Assim que eu acordei da cirurgia, quando eu vi meu rosto, olhei bem eu disse para mim mesmo: está aí um novo homem. Vou fazer tudo que eu não podia sentir em toda minha vida”, disse Cleiton.

Por conta das limitações, o rapaz só conseguiu concluir os estudos em uma escola de educação especial, apesar de nunca ter apresentado dificuldades cognitivas devido à má formação. Além disso, Cleiton nunca conseguiu ter um emprego fixo ou uma namorada.

Cleiton também foi discriminado. De acordo com o amigo Maiko Santana, o jovem sofre muito preconceito. “Ele baba e o rosto dele é diferente. Devido à boca, o chamam de babão e monstro. Até quando ele pega ônibus tem gente que não senta do lado dele por medo ou nojo”, disse Maiko.

Marcelo Quintela

Cientes do caso, o dentista Marcelo Quintela e o cirurgião buco-maxilofacial Alessandro Silva resolveram ajudar o rapaz de forma voluntária.

De acordo com os profissionais, a má formação muscular no rosto de Cleiton ocasionou no crescimento vertical dos ossos do local.

Quintela explicou que o jovem não consegue fechar a boca porque seus maxilares cresceram muito até não ser possível comportar a parte óssea, dentária e gengival. “Ficando tudo assim exposto ao ar, o que é agressivo, ele acaba ficando com a garganta inflamada, bem como com a gengiva e céu da boca inchados”, disse.

O procedimento para reconstruir o palato, divisão óssea e muscular entre as cavidades oral e naval foi realizado com sucesso em julho de 2018, no centro cirúrgico do Hospital Vitória Santos, em São Paulo. As despesas foram pagas por meio de doações e arrecadação de dinheiro.

Marcelo Quintela

A segunda cirurgia, prevista para acontecer em meados de setembro do ano passado, foi adiada. Isso porque o plano de saúde não aprovou a compra das próteses necessárias para realizar o procedimento.

A família, no entanto, entrou com uma liminar na Justiça e o convênio foi obrigado a comprar os materiais.

A cirurgia foi realizada apenas em outubro deste ano, no Hospital Alvorada, em São Paulo. O procedimento durou cerca de seis horas. “Cortamos a maxila e colocamos para dentro, para que apareçam só os dentes, e abrimos para que ela fique larga. Feito isso, cortamos a mandíbula e suspendemos para colocar os dentes na posição correta”, explicou Quintela.

Durante o procedimento, foram implantadas duas próteses de titânio próximas à região do ouvido devido à fragilidade dos ossos de Cleiton. Elas funcionam como articulações metálicas, fazendo com que o jovem possa comer qualquer tipo de alimento.

Recuperação
Após a cirurgia, Cleiton passou dois dias internado até receber alta da unidade médica. De acordo com Quintela, ele permanece com a “boca travada”. “Para os ossos cicatrizarem nessa posição precisa ficar imóvel. Ele está feliz, está diminuindo o inchaço no rosto, não sente dor”, disse.

O próximo passo será ensinar Cleiton a falar. “O ato de falar não é voluntário e espontâneo. Agora, o Cleiton tem condições para falar, mas ele precisa aprender a falar. Ele grunhia, agora, tem como falar direito, só precisa aprender, porque nunca falou. Como a musculatura fraca, precisa de uma fisioterapia. Estamos buscando ajuda voluntária agora”, afirmou Quintela.

Marcelo Quintela

 

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