Itamaraty rebate ministro de Israel que atacou Lula: “Mentiras”
Ministro da Defesa de Israel alegou que o presidente Lula seria um “antissemita declarado e apoiador do Hamas”
atualizado
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O Ministério das Relações Exteriores emitiu uma nota repudiando, nesta terça-feira (26/8), as alegações do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Katz alegou que o petista seria um “antissemita declarado e apoiador do Hamas”.
“Espera-se do sr. Katz, em vez de habituais mentiras e agressões, que assuma responsabilidade e apure a verdade sobre o ataque de ontem contra o hospital Nasser, em Gaza, que provocou a morte de ao menos 20 palestinos, incluindo pacientes, jornalistas e trabalhadores humanitários”, diz trecho da nota do Itamaraty.
As críticas de Israel Katz foram divulgadas na rede social X, acompanhadas de uma imagem gerada por inteligência artificial (IA), na qual aparece o presidente Lula sendo feito de marionete pelo líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Confira:

“Ele [Lula] revelou sua verdadeira face como antissemita declarado e apoiador do Hamas ao retirar o Brasil da IHRA – o organismo internacional criado para combater o antissemitismo e o ódio contra Israel –, colocando o país ao lado de regimes como o Irã, que nega abertamente o Holocausto e ameaça destruir o Estado de Israel”, escreveu o ministro da Defesa de Israel.
Israel Katz refere-se à saída do governo brasileiro da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), em junho. O país atuava como membro observador na entidade desde 2021.
O assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais, embaixador Celso Amorim, explicou que a saída do Brasil da IHRA aconteceu depois que o Palácio do Planalto se sentiu “manipulado” pela aliança.
Agora, em defesa do presidente Lula, o Ministério das Relações Exteriores cobrou o governo de Israel por recentes ataques a um hospital na Faixa de Gaza. Conforme informações divulgadas pelo próprio Itamaraty, o episódio “provocou a morte de ao menos 20 palestinos, incluindo pacientes, jornalistas e trabalhadores humanitários”.
“As operações militares israelenses em Gaza já resultaram na morte de 62.744 palestinos, dos quais um terço são mulheres e crianças, e em uma política de fome como arma de guerra imposta à população palestina”, pontuou o Ministério das Relações Exteriores.
Por fim, a pasta comandada por Mauro Vieira enfatizou que o ministro da Defesa de Israel também tem uma parcela de responsabilidade nos ataques contra a Faixa de Gaza. “Cabendo-lhe assegurar que seu país não apenas previna, mas também impeça a prática de genocídio contra os palestinos.”
No PT, há uma ala que defende que o governo Lula corte relações com Israel, diante do aumento das ofensivas israelenses contra a Faixa de Gaza, que se estende por quase dois anos. Uma das medidas sugeridas é a suspensão da venda de armas e munições ao país.
Apesar das posições públicas, o Palácio do Planalto trabalha em diálogos internacionais para tentar frear os ataques de Israel, cobrando ações emergenciais de organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU).
