Itamaraty não foi comunicado sobre revogação de visto de embaixadora
Governo Trump anunciou medida sem comunicação prévia ao Brasil. EUA vincula restituição do documento à indicação de novo embaixador

O governo de Donald Trump revogou o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, sem comunicar previamente o Itamaraty. A informação foi confirmada pelo Metrópoles.
A decisão foi anunciada nesta terça-feira (4/8) pelo Departamento de Estado e acrescenta mais um capítulo à escalada de tensão entre Brasília e Washington.
Segundo o Departamento de Estado, a revogação do visto não significa a expulsão da diplomata dos Estados Unidos.
Washington afirmou que o documento poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o aval diplomático para a nomeação do novo embaixador norte-americano em Brasília, Daniel Perez.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO nome de Perez foi indicado pelo presidente Donald Trump em junho e recebeu, há cerca de duas semanas, o aval de uma comissão do Senado dos Estados Unidos. A nomeação, porém, ainda precisa ser aprovada pelo plenário da Casa.
EUA cobra aval para novo embaixador
Pela tradição diplomática, o país que receberá um embaixador precisa autorizar previamente a indicação, em um procedimento conhecido como agrément. Segundo o governo norte-americano, o Brasil ainda não concedeu a autorização para Perez.
Os Estados Unidos alegam que autoridades brasileiras indicaram que o aval para o novo embaixador somente deverá ser concedido após as eleições presidenciais brasileiras, marcadas para outubro.
A falta de autorização é apresentada por Washington como justificativa para a retirada do visto de Viotti. O governo norte-americano, no entanto, não anunciou a expulsão da embaixadora, que continua podendo permanecer em território americano.
Vistos de diplomatas dos EUA foram negados
- A decisão contra Viotti ocorre 10 dias depois de o Brasil negar vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que planejavam viajar ao país.
- Riley M. Barnes, secretário-assistente do Departamento de Estado, e Samuel Samson, subsecretário-assistente, tiveram a entrada no Brasil barrada pelo governo brasileiro.
- Os dois foram citados pelo jornal The Washington Post como integrantes de uma estratégia para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
- O Departamento de Estado negou que a missão tivesse como objetivo interferir nas eleições.
- Segundo a pasta, a viagem teria como objetivo discutir “integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão” com autoridades brasileiras e representantes da sociedade civil.
Relação entre Brasil e EUA se deteriora
A revogação do visto de Viotti ocorre em um momento de forte deterioração das relações entre os dois países. Nos últimos meses, o governo Trump adotou medidas comerciais contra o Brasil e elevou a pressão política sobre o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As eleições presidenciais de 2026 também se tornaram um dos principais pontos de tensão entre os governos. A administração Trump mantém proximidade com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, principalmente em relação ao senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), demonstrando interesse em questões relacionadas ao processo eleitoral brasileiro.
O governo Lula, por sua vez, tem acusado Washington de pressionar instituições brasileiras e interferir em assuntos internos do país.









