Iphan RJ prepara circuito unindo bondinho, Cristo e Floresta da Tijuca

Olav Antonio Schrader afirma que projetos que integram as três atrações são os primeiros do país

atualizado 02/06/2021 19:34

Superintendente do Iphan, Olav Antonio Schrader, no Rio de JaneiroFoto: Aline Massuca/Metrópoles

Rio de Janeiro – Costurar projetos em meio à escassez de recursos durante a pandemia e a crise econômica, com parcerias com estado,  município e Judiciário, é o desafio do superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Rio de Janeiro, Olav Antonio Schrader. Em entrevista ao Metrópoles no Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty, ele revelou planos ambiciosos, como  “ressuscitar” a estação da Leopoldina, criar uma Via Sacra aos pés do Cristo Redentor, fazer um circuito histórico na Floresta da Tijuca e integrar tudo em um projeto cultural com o Bondinho do Pão de Açúcar.

Tudo faria parte do que Schrader classifica de primeiro circuito histórico e paisagístico do Brasil. O superintendente também anuncia a criação de um Centro de Capacitação de Restauração, em parceria com o Tribunal de Justiça. Ele não ignora, porém, as dificuldades e críticas. Admite falta de funcionários, mas alega que o órgão é “atolado em burocracia”, e promete chamar para o diálogo o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública da União e o Judiciário.

O senhor assumiu o instituto em junho, em meio à pandemia e à crise econômica, em uma cidade carente de recursos, mas rica historicamente. Como é fechar essa equação para novos projetos?

A gente entrou em uma gestão de crise econômica, sanitária e de recursos mesmo. Estamos em um país com muitas carências. Isso gera reflexos sobre o que órgão é capaz de fazer e cumprir. Não é de hoje que o patrimônio cultural passa por degradações e falta de soluções. Mas a crise tem um lado positivo, no sentido de que ela veio a dar impulso em busca de novas soluções, novas parcerias. Sou grato ao secretário especial de Cultura, Mário Frias, e à presidente do Iphan, Larissa Peixoto. Fui lá, abri meu coração e disse: a situação está muito delicada, preciso de um voto de confiança, para transformar o Rio de Janeiro em um laboratório de novas soluções.

E o que significa esse laboratório de novas soluções?

Fala-se muito em recursos minerais, naturais, hídricos e energéticos. Mas fala-se muito pouco de recursos culturais. Temos uma riquíssima jazida no Rio de recursos culturais. O embaixador Jerônimo Mascardo, fundamental na minha formação, foi ministro da Cultura, e ele insiste até hoje que o Brasil é uma potência cultural. Agora, os recursos culturais têm que ser explorados de forma sustentável, inteligente e sem excluir ninguém, para servir à sociedade. Não há recursos públicos que passam por tantas carências quanto os culturais, que também geram turismo, indústria criativa e proteção do meio ambiente.

Qual é a mola propulsora do laboratório?

É a gente se abrir a todas as forças da sociedade. E o que é isso? Aqui (sede do Museu do Itamaraty no Rio) há parceria institucional entre o Iphan e o Palácio do Itamaraty, que passa por problemas desde a década de 1980. Fizemos uma força-tarefa que permitiu lançar uma série de projetos para captar recursos, lei de incentivo à cultura e outras parcerias. Fizemos um pedido ao Fundo Nacional de Cultura para capacitação e conservação do acervo. Ao final, surgirá uma cartilha que vai dizer, por exemplo, como manter os tapetes e as luminárias. Esse acervo ainda não é tombado, é frágil e carente de proteção. Então, vamos unir esforços para avançar com a instrução do tombamento.

E quais são as coisas mais valiosas?

Temos mobília que pertenceu a Napoleão Bonaparte, o único quadro onde aparece no centro Dom João VI, embarcando de Lisboa para o Brasil, a maior mapoteca da América Latina e talvez das Américas, uma biblioteca de livros raros remontando séculos. É um tesouro. A sala de baile da guerra do Paraguai, nós testamos o som, está perfeita, mas precisando de cuidados. Esses cuidados precisavam chegar rápido, porque nós temos um trágico histórico de degradação, incêndios, descuidos. Então, sob a nossa gestão, estamos tentando reverter.

E qual é o investimento?

É modesto, adaptado à situação de pandemia, de R$ 80 mil. Porém há o efeito simbólico, porque tem uma vertente de educação patrimonial, e inclui os jovens na conservação do acervo.

A sede do Iphan vai ser transformada em Centro Cultural?

Não é uma decisão minha, é institucional, porém acredito que todo o patrimônio cultural tem que ser devolvido à sociedade. A sede na Avenida Rio Branco, 46, pode virar tema desse debate, sim. Vamos devolver à sociedade?

Mas o senhor tem projeto para isso? Pretende costurar essa proposta?

De fato, hoje temos políticas que permitem o investimento. Temos mecanismos de incentivo à cultura, inclusive, por parte da iniciativa privada. Acho que o comprometimento por parte da iniciativa privada está crescendo, ainda mais quando você consegue atrelar isso a facilidades tributárias.

Mas que tipos de movimento o senhor está fazendo para costurar isso, seja com o estado, o município ou a iniciativa privada?

Não posso conduzi-lo sozinho, porém acho válido e que merece ser iniciado. Todas as nossas iniciativas são voltadas para o retorno à sociedade, para gerar turismo, autoconsciência, inclusão social, gastronomia, hotelaria, indústria criativa, moda, design, produção de filme. É uma lástima não explorar o potencial gigantesco de recursos culturais.

E como é essa parceria do Bondinho do Pão de Açúcar com o Iphan?

Toda paisagem tem uma história, e toda história tem uma paisagem. Ali, a paisagem é patrimônio mundial, é um monumento que poucos conhecem na sua essência. Quantas pessoas não pegam esse bondinho e sobem sem saber que trata-se do teleférico mais antigo do mundo em operação? É um monumento de pioneirismo da engenharia brasileira. Essa parceria veio agregar valor ao monumento através da valorização da cultura, para que as pessoas tenham uma melhor noção da importância desse bem.

Qual o eixo da sua gestão?

O Rio está precisando de boas notícias e mensagens de união. No Bondinho, você explica a paisagem. A paisagem não é só um belo cartão postal, mas o local onde Arariboia chega com seus valentes tamoios para a fundação do Rio. Temos um lugar onde muito provavelmente ficou fundeado Américo Vespúcio. “Você só ama e protege aquilo que você conhece.”  Quantas pessoas olham para aquela enseada e não imaginam o Arariboia, não veem que o gigante que é citado no Hino Nacional, quando fala deitado eternamente em berço esplêndido, do gigante pela própria natureza, do impávido colosso, é uma alusão à paisagem do Rio? O morro do Pão de Açúcar vem a ser o pezinho do gigante.

O que o mundo pode esperar da Via Sacra no Cristo Redentor? É em outubro?

No contexto pandêmico, está difícil a gente trabalhar com datas. Além do acordo, já começamos a prospectar as trilhas, em breve vamos pedir proposta de design para a Mitra. E nós temos a proposta com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação Ambiental) para que as estações da cruz sejam feitas com madeira reaproveitada da própria floresta, de árvores que caíram. Você tem três dimensões aqui: histórica, ambiental – imagina o estrangeiro que só ouve falar de Amazônia e Mata Atlântica, a distância; ali ele ter vai um contato em primeira mão. Você tem bichos, as copas das árvores, uma transcendência espiritual.

Como as pessoas vão, equilibradas com meio ambiente, fazer a via sacra sem degradar a floresta?

Estamos em uma unidade de conservação. Fizemos uma parceria com o ICMBio, que tem série de cuidados, o projeto nasce em parceria com o órgão. A gente não derruba uma folha, uma árvore, o traçado é de trilha já preexistente. A Via Sacra deve iniciar nas Paineiras, onde já tem estrutura, e a partir de lá fazer um controle adicional de fluxo de pessoas. Vamos fazer esse estudo de quantas pessoas essa trilha pode absorver.

Qual será o trajeto?

Ficou com menos de dois quilômetros. Começaria nas Paineiras até os pés do Cristo. O que a gente se preocupou é em garantir o máximo de acessibilidade. A gente escolheu o trecho final pela estrada, para que pessoas com problemas de mobilidade possam percorrer com um carrinho elétrico, por exemplo. Você pode dizer: “Olha, pelo menos, a parte gloriosa, que é o final, apoteose do passeio, pode ir pela estrada”.  Temos a Via Sacra, o Bondinho e a gente está em fase final da parceria com o ICMBio para o fazer o circuito histórico da Floresta da Tijuca.

Como será o circuito histórico da Floresta da Tijuca?

O Bondinho, a Via Sacra e o circuito histórico da Floresta da Tijuca: se você junta esses três, e esse é o plano, nós criamos o circuito histórico e paisagístico do Rio de Janeiro, que vem a ser o primeiro do Brasil. A gente vai escolher uma rota para abranger remanescente históricos e arqueológicos. Ela passou por várias fases. Já foi plantação de café, carvoaria… ali você tem um sistema que abastecia o Rio na época do Brasil Colônia, depois, do Império. Vamos contar a história do reflorestamento da floresta, que é um monumento. Os Arcos da Lapa, por exemplo, eram um aqueduto, estão ligados à floresta. Existem histórias de refúgios dos negros.

E a reforma da Fazenda São Bernardino, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, um dos mais completos exemplares colonial?

Foi um dos momentos mais emocionantes da minha gestão quando chegou às minhas mãos um documento no qual o então Iphan defendia o acautelamento da Fazenda São Bernardino, assinado por Carlos Drummond de Andrade. O Iphan no fim dos anos 1930, década de 1940, era uma instituição de vanguarda. É um bem tombado nacional, perto de uma reserva de Mata Atlântica e sofreu um incêndio que a deixou em  ruínas. O que a gente está desenvolvendo junto à Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu é uma união de esforços para captar recursos, para o projeto executivo de restauro e depois para a obra. Já existe um piloto, que é a restauração da senzala e e uma espécie de depósito.

Como o senhor disse, a Baixada é abandonada. Há outros projetos?

Temos dois grandes projetos em andamento, como a Fazenda São Bento, em Duque de Caxias.

E a Igreja do Pilar, erguida em 1720?

A gente espera poder inaugurar o restauro este ano. Houve série de dificuldades técnicas. Foi um desafio, houve a parte da arqueologia, porque ali tem muitos remanescentes humanos dentro da nave da igreja, além da arquitetura também. Recentemente, a gente deu apoio a um resgate de uma das imagens que tinha sido roubada, em um leilão, em um esforço conjunto com a Polícia Federal. Muita coisa foi roubada lá, e a gente espera recuperar.

O senhor falou muito em parceria. Mas em entrevista ao Jornal Extra o diretor do Museu Nacional, Alexandre Kellener, que pegou fogo em 2018, criticou o Iphan no processo de restauração. Ele reclamou de lentidão na liberação de documentos, fiscalizações obscuras e ausência em reuniões. O que o senhor tem a dizer sobre isso? O que houve?

Todo o trâmite referente ao projeto Museu Nacional Vive é transparente, de livre acesso público, e quem tiver interesse de realmente verificar os fatos e não as narrativas, é só abrir o processo e constatar que está tudo em andamento. Só que a gente tem que entender que são dois bens de uma magnitude muito expressiva. Nós temos o antigo Paço de São Cristóvão, nós temos uma Quinta da Boa Vista, nós temos ainda um projeto adjacente, então, é desafiador, do ponto de vista técnico. Agora, dito isto, qualquer pessoa que tenha a honestidade intelectual de consultar os autos dos processos, que são públicos, verá que a realidade é diferente das alegações que são feitas.

Mas a participação do Iphan no projeto do museu é fundamental.

O Iphan é órgão fiscalizador, normatizador, está lá para que seja respeitado o acautelamento. Sobre esses bens incidem vários acautelamentos. Não existe um tombamento apenas, existem vários. Você tem, por exemplo, o tombamento histórico, que são as características do bem, você tem outro tipo de tombamento que se chama belas artes. É projeto complexo e de relevância muito grande para o país. Nós somos um órgão de Estado, não somos políticos, não somos um órgão do time A, do time B ou C. Não tenho interesse em polêmica, queremos avançar, basta consultar os autos. Faltam subsídios para dar andamento mais célere.

O Iphan já sofreu críticas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Qual o impacto disso no Rio ?

Cite um órgão de Estado que não está sujeitos a críticas, que não tenha dificuldades com burocracia. Não é um problema do Iphan. Quais são os problemas que a administração pública enfrenta? Escassez de recursos, tentar abraçar muitas causas sem ter os meios para realizá-los. Nós temos incongruências, às vezes, nas leis, morosidade nos processos longos e complicados. Temos processos de tombamento da Cruz Vermelha que estão correndo desde a década de 1980. Temos que ter a humildade de reconhecer as carências e a coragem para enfrentá-las e resolvê-las.

Mas já houve até matérias relatando que o Conselho Consultivo, que regula a proteção do patrimônio artístico, ficou quase dois anos sem se reunir.

Isso não procede. O que houve foi uma situação de pandemia mesmo, e que afetou todos os órgãos da administração. O Conselho Consultivo está se reunindo, sim.

Não houve paralisação?

Todas as atividades sofreram, sem exceção, uma certa redução, sim, por conta da pandemia. Mas falar que houve paralisação é buscar polêmica, fazer barulho. Temos que olhar essas questões de maneira fria, isenta e técnica. Inclusive, se reuniram na semana passada.

Aqui o senhor não sofreu nenhuma interferência do presidente?

Sofri interferência positiva, que nos deu autonomia como superintendência para fazer parcerias. A gente se juntou ao estado, por exemplo, para viabilizar recursos necessários para ressuscitar a estação Leopoldina, de nome oficial Barão de Mauá. A gente formalizou apoio a uma iniciativa para captar os recursos com a cooperação da Alemanha, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BNDES e o Ministério do Desenvolvimento Regional. Assim que assumi, fizemos um trabalho sobre a Leopoldina, sobre Guia de Pacobaíba, em Magé, primeira estação do Brasil. Não foi para frente. Aí apareceu a oportunidade de parceria com o estado. A vocação da Leopoldina é ser usada.

Como será o estudo, essa parceria?

Não tenho todos os detalhes, mas tem dimensão estritamente técnica, como onde estão os trilhos? Se a gente ainda tem espaço para o leito do trem. O custo de restauração tem que estar incluído no projeto, reabilitar as estações tem que ser quantificado, é um estudo de viabilidade. Quanto vai significar a reimplantação dos projetos ferroviários e se isso é viável de forma sustentável. Esse projeto tem se sustentar, não pode ser um sumidouro de recursos públicos. A gente tem ter muito cuidado com o quesito sustentabilidade. Os nossos recursos culturais têm que ser explorados.

Quanto começa?

A apresentação das propostas foi quinta-feira (27/5). Vários entes vão submeter suas propostas a esse crédito de viabilidade.

Quanto é ?

Não sei. Nós estamos endossando a iniciativa do estado que é o proponente. O estado nos contatou. É tudo que venho querendo desde o ano passado. Acredito na relevância das ferrovias para transporte de carga. Um trem Rio-São Paulo é tudo de bom. O pior dos trens é melhor do que o ônibus ou o avião, porque você vai de centro a centro.

O senhor assumiu a superintendência após questionamentos sobre a nomeação de Larissa Rodrigues Peixoto, por não preencher requisitos técnicos, com base em ação popular do então deputado federal Marcelo Calero, hoje secretário municipal de Governo e Integridade Pública do Rio. Depois a decisão foi derrubada. Como foi superar essa turbulência?

A situação continua complicada. Se você pensar quantos recursos tiveram que ser destinados à saúde por conta da pandemia, portanto, contingenciado. A cultura é tradicionalmente muita afetado em qualquer crise.

Como é o orçamento do Iphan?

Ele é transferido pelo Ministério do Turismo. Somos vinculados à Secretaria de Cultura, antes Ministério da Cultura, e acima, o Ministério do Turismo. Então, do Tesouro os recursos vão para o Ministério do Turismo, e depois, para o Iphan, que apresentou suas demandas de pessoal e projetos. Não temos fonte própria de recursos. Seria extremamente favorável, mas não vou revelar ainda.

E a parceria com o município?

Institucionalmente, a parceria é muito forte. A presidente Larissa Peixoto deposita uma grande confiança na superintendência do Rio, o ministro Gilson Machado, o secretário de Cultura, Mário Frias, e sem essa confiança não teríamos autonomia para fazermos tudo que estamos fazendo. Não tenho qualquer tipo de impedimento para bater na porta do ICMBio.

E no âmbito municipal?

Temos ampla autonomia, baseado em uma confiança de profissionalismo e gestão para buscar soluções originais e inovadoras e isso é muito bom. Tenho uma parceria para anunciar.

Qual ?

Já houve provocação oficial por parte do Tribunal de Justiça e nós já respondemos. Estamos em um início de caminhada para criação de um Centro de Capacitação de Ofícios de Restauro para jovens. A ideia é de que se restaure um bem histórico, a Estação Francisco Sá, na Rua Ceará, em São Cristóvão, onde vai funcionar o projeto.   Eles vão aprender carpintaria fina, quem sabe restaurar um tapete? E é uma mão de obra escassa. Uma pessoa que sabe lidar com o restauro dessas cortinas (ele se refere às cortinas do antigo Palácio do Itamaraty), esse tipo de mobília, ele vai estar numa situação vantajosa no mercado de trabalho.

E como é o trabalho de fiscalização? Há funcionários suficientes?

Não. Isso é uma mazela geral da administração pública. Se assume muitas atribuições sem ter necessariamente os recursos humanos para isso. Nós somos responsáveis pelo respeito ao acautelamento, ou seja, as regras de proteção do bem têm que ser respeitadas. Nós somos muitos cobrados. Somos cobrados para sermos empresa transportadora, e não somos; somos cobrados para sermos gestores de museu, e não somos; somos cobrados para sermos empresa de obras, e não somos. Somos órgão fiscalizador, normatizador, de promoção e educação patrimonial, vertente que tem que ser fortalecida. A responsabilidade do bem é do proprietário. Também queria dizer outras coisas.

Quais?

Nós somos onerados com uma carga administrativa grande, com uma montanha de solicitações do Ministério Público Federal, da Defensoria Pública, do Judiciário. São denúncias externas. Se você junta isso, infelizmente, você vê o quão limitado você é para desenvolver parcerias belíssimas.

Mas como se resolve isso? Por que toda vez que você ouve o Ministério Público ou a Defensoria, a sensação que se tem é que é pró-sociedade.

Não estou entrando no mérito. O que estou dizendo é que existe uma pressão de trabalho interno gigante para atender as demandas pró-sociedade e administrativas e burocráticas, que drenam uma quantidade tão grande de energia que você sente, poxa a gente poderia estar realizando mais  projetos.

Mas como o senhor vislumbra fechar essa equação?

Tem que buscar simplificação de processo, por exemplo, qualquer intervenção em uma varanda na Lagoa recai sobre o Iphan, qualquer aprovação de um evento no local A, B ou C, mesmo se for uma foto de formatura no Museu de Arte Moderna. A gente tem que rever processos para aliviar a carga administrativa, burocrática e ser um órgão mais pró ativo.  Temos que estreitar o diálogo com a sociedade. Dizer: “Olha, o que está pegando aí?”. Temos uma montanha de demandas judiciais, do Ministério Público, vamos chegar junto, estreitar o diálogo. Isso é importante, porque, talvez, você consiga dinamizar processos desta maneira. A nossa intenção e encurtar a distância com a sociedade.

Então, o senhor vai abrir diálogo com o Ministério Público, a Defensoria Pública e o Judiciário?

Pelo lado da demanda da sociedade e pelo lado da administração, simplificação de processos,  por que que tenho que dar pitaco em cada 30 centímetros de varandinha na Lagoa enquanto bens como esse aqui (Itamaraty) precisam de cuidados? Por que preciso dar pitaco em um mínimo canteiro de flores em Petrópolis, quando temos palacetes? Você cortou árvore e plantou outra, o Iphan tem que aprovar. Fizemos aceno com a Prefeitura do Rio para gente lançar um projeto-piloto para que via sistema, a gente possa fazer a aprovação de eventos, com  transparência.

Quais os eventos que o Iphan aprova? 

Qualquer um em área de bem tombado nacional ou no entorno, Lagoa, Aterro do Flamengo, Praça XV, Quinta da Boa Vista. São 126 bens individuais e mais cinco conjuntos urbanos, só na cidade do Rio.

Quantos funcionários o Iphan tem? 

No estado, 98. Mas a gente fez um levantamento, um das primeiras coisas que fiz, e praticamente a metade está inativa, cedida, com horário reduzido ou em vias de se aposentar. É uma enormidade de desafios.

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