Indígenas são expulsos de restaurante em MG: dono mandou se vestirem

Lideranças dos povos Pataxó e Pataxó HãHãHãe em São Joaquim de Bicas registraram ocorrência denunciando racismo de dono do restaurante

atualizado 23/12/2021 22:00

Cacica Célia AngohóReprodução/Redes sociais

Indígenas dos povos Pataxó e Pataxó HãHãHãe denunciam ter sido vítimas de racismo pelo dono de um restaurante em São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na última quarta-feira (22/12). Segundo a cacica Célia Angohó, um grupo de indígenas fazia uma confraternização no local, com a equipe de saúde que atua na aldeia deles, quando o dono do restaurante Tropeirão do Jucão teria ido até a mesa e pedido que eles “se vestissem ou deixassem o local”

A Constituição brasileira prevê, em seu artigo 231, que “são reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições”.

“Hoje o dono do estabelecimento veio nos discriminar por trajarmos nossos trajes típicos, veio na nossa mesa nos discriminar, pedindo para deixar o restante dele. Eu, como cacica, quero entrar com uma ação contra esse restaurante”, disse a liderança em vídeo que circula nas redes sociais ligadas ao movimento indígena.

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“Chega de racismo”, pedia a cacica Célia Angohó, que gravou o vídeo em frente a um quadro no restaurante que mostra um indígena de forma estilizada.

“Aqui está o nosso corpo sendo exibido no restaurante dele, onde nossa presença não é bem vinda”, disse ela. “Nós, povos indígenas, negros e ciganos não temos direito de nem comer num restaurante chique da cidade”, reclamou ainda ela.

A reportagem não conseguiu contato com a gerência do restaurante.

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